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ENTREVISTA PARTE II

       FLÁVIO IZHAKI
                          Por Ramon Mello

     
                                     foto: Tomás Rangel


CLICK (IN)VERSOS – Você é jornalista, formado pela UFRJ, e escritor. Como é a relação desses ofícios?

 

FLÁVIO IZHAKI – Estou afastado do jornalismo há uns três anos. O único trabalho que faço no jornalismo é resenha para o jornal O Globo. Não sei dizer se o jornalismo ajuda ou atrapalha a literatura. Tem a vantagem de você ser obrigado a escrever todos os dias. E também tem a questão do olhar, que fica mais apurado.


CLICK (IN)VERSOS – O jornalismo esportivo interage com sua literatura?


FLÁVIO IZHAKI – Ainda não. Mas em algum momento vai entrar porque sou viciado em futebol. Sou muito Flamengo. Meu quarto está cheio de faixas... (RISOS)

 

CLICK (IN)VERSOS – No seu livro tem uma frase do Saramago que diz: ‘é necessário sofrer para escrever’. Assim que funciona o seu processo de criação?

 

FLÁVIO IZHAKI – O Rogério Pereira, do Rascunho, fez essa mesma pergunta. (RISOS) Acho que sofremos antes, mas só um pouco. E nem é sofrimento a melhor palavra... Não, não sofro para escrever.

 

CLICK (IN)VERSOS – No livro você cita: Cortázar, Sérgio Sant’Anna e Saramago. Quais são as suas influências?


FLAVIO IZHAKI – São parecidas com as que estão no livro. O primeiro livro é muito pessoal. Acredito que a nossa geração tem uma boa produção. Quando conseguirmos esquecer as questões do primeiro livro, vamos crescer bastante.

 

CLICK (IN)VERSOS – Você lê os seus contemporâneos? Quem?

 

FLAVIO IZHAKI – Eu sou compulsivo, tento ler todos que lançam livro e chegam à mídia. Tem muita gente boa: André de Leones, Cuenca, (Daniel) Galera, Tony Monti, Tatiana Salem Levy, Julián Fucks... É uma geração muito bacana. O mercado é difícil, mas tem muita gente lançando. E tem o Bernardo Carvalho, Milton Hatoum..

 

CLICK (IN)VERSOS – Você possui três blogs: Bohemias, De Cabeça Baixa e Edifício Primavera, que está abandonado. Como é a sua relação com a internet?

 

FLÁVIO IZHAKI – Você falou de blogs que nem eu lembrava (RISOS). Tenho muito retorno com os leitores através da internet. Tem muita gente querendo ler literatura. Internet é importante para mostrar o trabalho e experimentar. Você pesquisou e descobriu que uma leitura de 2004 foi publicada no meu blog e depois no meu livro, em 2008. Mas acho que a literatura na Internet está em crise.

 

CLICK (IN)VERSOS – Você lançou na web o trailer do livro “De cabeça baixa”, dirigido por Débora Pessanha. Como foi o retorno?

 

FLÁVIO IZHAKI – Foi muito bom como propaganda. As pessoas souberam que o Flávio Izhaki, um desconhecido, estava lançando um livro. Eu e minha mulher formamos uma equipe com alunos da UFRJ para produzir o vídeo e colocar no You Tube. Abriu em espaços em vários jornais de outros estados. É um trabalho interessante.



CLICK (IN)VERSOS –
Por que você escreve?

 

FLÁVIO IZHAKI – Não sei explicar. Talvez, porque eu sinto necessidade de escrever. É difícil saber o porquê.

 

CLICK (IN)VERSOS – O que um jovem necessita para se tornar um escritor?

FLÁVIO IZHAKI – Não tem como fugir: tem que ler e escrever muito. Depois tem que procurar alguém que está no mesmo momento para trocar. Leia a produção dos contemporâneos. E cuidado com a figura dos gênios literários, não tente inventar a roda. Gullar costuma dizer que ‘a vanguarda já bateu no teto’. Acredite e caminhe passo a passo.

 

19Set2008 - 12:01 | ( 1 ) comentários
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