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          FLÁVIO IZHAKI
 
                                                                Por Ramon Mello
 

                                                          Foto: Tomás Rangel


Li ‘De Cabeça Baixa’ assim que foi lançado, no primeiro semestre deste ano, pela Editora Guarda-Chuva. Mas só agora consegui conversar com Flávio Izhaki, sobre o seu bem-sucedido livro. O encontro, no apartamento do autor, em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, foi pautado nas expectativas do primeiro livro.

Na história contada por Flávio, o protagonista, Felipe Laranjeiras, encontra seu romance, Desencanto, num sebo em Curitiba – lugar escolhido de ‘exílio’ pelo personagem após o fracasso do primeiro livro e de um relacionamento amoroso. As páginas do exemplar encontrado estão cheias de anotações críticas. Quem escreveu os comentários? Essa pergunta seduz o leitor e o caminha para uma narrativa angustiante e bem estruturada.

Até o momento, posso afirmar que o livro de Flávio Izhaki foi o melhor lançamento de 2008 entre os ‘jovens promissores’. O autor merece mais facilidade na publicação do segundo livro.

 

 

               ALÉM DE UM ‘JOVEM PROMISSOR’

 

 

CLICK(IN)VERSOS – Diferente do protagonista do seu livro, ‘De Cabeça Baixa’, você foi muito bem recebido pela crítica. Você teve medo do fracasso?


FLÁVIO IZHAKI –
Enquanto eu estava escrevendo o livro, resolvi investigar esse assunto. Mas não fiquei preocupado com o que iriam achar do livro. Até porque para lançar o livro é um processo: escrever, procurar editora, encontrar alguém que esteja disposto a investir... Eu só pensava escrever. Mas é lógico que dá um nervosismo quando o livro vai para imprensa. Não se sabe como o livro será recebido. Se vai ter uma resenha ou nenhuma. O ‘Valor’ foi primeiro veículo a publicar uma resenha do meu livro. Fiquei de sexta para sábado entrando no site do jornal, mas o acesso era restrito para assinantes. Foi um sofrimento. Na Revista Época, por exemplo, o jornalista foi maldoso. Quando li a matéria tomei um susto com o título: ‘Todos querem ser igual a ela’. ‘Ela’ era Patrícia Melo. Sem julgar a Patrícia Melo, mas não respondi nenhuma pergunta relativa ao trabalho dela. Temos de lidar com essas coisas. Mas fiquei muito feliz com as críticas. Espero que essas resenhas possam ajudar na publicação do próximo livro. A imprensa gosta do novo, sempre tem alguma manchete vendendo um ‘escritor promissor’. Essa expressão cabe em muitos jovens. No meu livro, o protagonista encontra num sebo o livro ‘Simulacros’, do Sérgio Sant’Anna, que diz o seguinte:

 

‘(...) Você quer saber de uma coisa Jovem Promissor? Um dia o Velho Canastrão vai morrer e você tomará o lugar. Só que será batizado não de VC, mas de VF. Velho Fracasso’.


Não podemos acreditar nesses rótulos senão não avançamos e caímos do cavalo.

 

CLICK (IN)VERSOS – Você publicou esse trecho de ‘Simulacros’ no seu blog Bohemias , em 2004...

 

FLÁVIO IZHAKI – Sim. Você conseguiu encontrar? (RISOS)


CLICK (IN)VERSOS – Como surgiu ‘De Cabeça Baixa’
?

 

FLÁVIO IZHAKI – Eu escrevi esse livro há dois anos. Ou seja, quando fui fazer o lançamento, o livro já era estranho pra mim. Tentei escrever ‘De Cabeça Baixa’ a primeira vez, mas não consegui. Era sobre a história de um amor que não dá certo, não deu certo. (RISOS) Depois tive uma outra idéia: um escritor que encontra o próprio rabiscado num sebo. Escrevi uma sinopse e comecei a desenvolver o início da história. Tive que deixar de lado porque estava trabalhando muito como jornalista esportivo, numa agência de notícias – eu era editor e não tinha vida. Até que comecei a direcionar a minha vida para a literatura. Na época, eu tinha o sonho de ter uma editora. Mas, depois que trabalhei numa editora, desisti. Então, resolvi pedi demissão da agência para poder escrever. Agora já estou escrevendo o segundo livro e as questões já são outras.

 

CLICK (IN)VERSOS – Como aconteceu o processo de publicação do seu romance? Demorou?

 

FLÁVIO IZHAKI – Foi difícil. Enquanto estava escrevendo o livro eu nem pensei em procurar editora. Mas depois que escrevi, juntei as matérias que eu tinha sobre as coletâneas e fui atrás. Primeiro, um amigo falou com um editor sobre o livro. Enviei o material e nada. Aguardei, mas depois o cara parou de responder. Perdi mais de cinco meses. Depois, em 2006, encontrei Marcelino (Freire) na FLIP e ele pediu o meu livro para entregar na Record. Só que três meses depois fui trabalhar na Record. Não sabia se podia perguntar sobre o meu livro. Um dia a Record se pronunciou e disse que gostaria de publicar. Mas logo foi proibido lançar livros de funcionários da editora. Então, o Sérgio França levou o meu livro João Emmanuel (Magalhães Pinto), que estava abrindo editora Guarda-Chuva. Em março de 2007, o editor ligou dizendo que tinha interesse no livro. Mas o lançamento aconteceu em maio de 2008. É um processo lento.

 

CLICK (IN)VERSOS – Quando a literatura passou a ter importância na sua vida?

 

FLÁVIO IZHAKI – Não sou daqueles escritores que lêem desde pequeno. Eu comecei a ler tarde, aos 18 anos. Mas depois passei a ler mais e gostar de escrever. Então, comecei a enviar os meus textos para os poucos sites que existiam. A publicação na internet começou a dar um salto com o site Paralelos, em 2002. Na ‘Primavera dos Livros’ teve uma mesa do Paralelos que a platéia bocejava. Cheguei em casa e escrevi um conto chamado ‘Bocejos’ e enviei para o site. Depois os editores pediram outro conto, assim comecei a levar mais a sério. Comecei a conhecer essa galera: (João Paulo) Cuenca, Cecília (Gianetti), Augusto Salles... Até que escrevi um conto sobre o Catete e comentei com o Marcelo Moutinho. Pensei em sugerir um tema sobre bairros para o Paralelos, mas ele falou que idéia dava um livro. Fomos na Casa da Palavra e sugerimos um livro de contos de jovens autores sobre o Rio de Janeiro. A editora se interessou e nós fizemos o livro Prosas Cariocas. Então convidamos gente que nunca tinha publicado livro. Na mesma época, o Augusto Salles, editor do Paralelos, me pediu contos para a seleção do livro. No período de dois meses eu estava em duas coletâneas. Tomei um susto.

LEIA A SEGUNDA PARTE DA ENTREVISTA, AQUI!
 

19Set2008 - 12:05 | ( 0 ) comentários
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