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RAQUEL PACHECO BRUNA SURFISTINHA Por Ramon Mello ![]() A PERSONAGEM BRUNA SURFISTINHA Sexo é assunto que todo mundo gosta. Basta esse tema aparecer em determinado livro para se confirmar que pelo menos alguns leitores curiosos irão surgir. Imagine se no cenário ainda possa se encontrar orgia, segredos, drama familiar, bizarrices e uma mulher bonita... O tiro pode ser certeiro. Talvez por conta da curiosidade alheia que Raquel Pacheco tenha feito tanto sucesso com o seu alter ego: a Bruna Surfistinha. Sim, entrevistei (por e-mail) a autora dos livros O Doce Veneno do Escorpião e O que Aprendi com Bruna Surfistinha (ambos da Editora Panda Books), que têm sido um recorde de vendas no Brasil, e agora no exterior. Os livros dela, escritos com a colaboração do jornalista Jorge Tarquini, estão sendo editados no exterior - em Portugal, O Doce Veneno do Escorpião já é o terceiro mais vendido do país, há três semanas. Confesso que quando recebi a sugestão de pauta para entrevistá-la senti um certo preconceito. Não pelo fato de ser uma ex-garota de programa e sim por ter enxergado o livro como uma mera jogada de marketing. Peguei o livro emprestado com uma colega de trabalho e, numa noite de sábado, me despi dos resquícios de preconceito e devorei o livro. O que achei? Click(IN)VERSOS – A Bruna Surfistinha parece estar caminhando muito bem: traduções em diversos países, com recorde em vendas – o terceiro mais vendido em Portugal. E a Raquel Pacheco como está atualmente? Está bem? RAQUEL PACHECO - Estou muito bem sim, estaria melhor se já tivesse me reconciliado com a minha família, mas estou otimista quanto a isto. A minha vida como Raquel também está bastante agitada, além de ter uma vida de casada há quase dois anos, recentemente recomecei a estudar e tenho investido num empreendimento que será da Raquel e não da Bruna. Posso dizer que estou ótima, pois estou feliz no amor e bem sucedida profissionalmente. Nestes aspectos, se melhorar, estraga. Não esperava atingir o sucesso tão repentinamente e colher tantos frutos bons, mas estou aproveitando, pois sei que será uma fase passageira, embora eu já esteja na mídia há quase três anos.
Click(IN)VERSOS - Como está a receptividade dos livros no exterior? RAQUEL PACHECO - Por enquanto só estou ciente da receptividade em Portugal, que está sendo ótima! Há quatro semanas está na lista dos mais vendidos e tenho recebido muitos e-mails de portugueses. Aliás, ultimamente tenho recebido mais de portugueses do que de brasileiros. Acho interessante isso e me divirto com as diferenças do dialeto. Receberemos os relatórios das editoras européias daqui a cinco meses, então somente com eles é que saberemos se a receptividade foi realmente boa ou apenas uma ilusão. Acredito que esteja sendo ótima, pois além dos e-mails de Portugal, já recebi mensagens de leitores dos demais países onde o meu livro já foi publicado. Click(IN)VERSOS – No seu último livro você afirma que não se orgulha do seu passado, mas também não se arrepende. O que você sente realmente? RAQUEL PACHECO - O fato de não ter me arrependido não significa que eu tenha orgulho. Assumo, sem vergonha, que fui garota de programa, mas jamais carregarei esta fase como um troféu para a vida. Vejo esta fase como neutra: não foi boa, mas não foi totalmente ruim, assim como não sinto vergonha, mas jamais me orgulharei. Hoje, um ano e cinco meses após parar de me prostituir, vejo esta fase com outros olhos, consigo perceber o quanto fui imatura em vários momentos, mas como não podemos voltar ao passado, não fico me lamentando, o que já aconteceu, aconteceu... Bola para frente! Sei que foi uma fase por qual eu tinha que ter passado, pois aprendi muito, não apenas em questão sexual, mas aprendi muito com os homens e com a vida que segui por livre arbítrio. Mas é uma situação que não desejo para nenhuma mulher, assim como não quero passar por tudo novamente. Click(IN)VERSOS – Até que ponto o pseudônimo Bruna Surfistinha te ajudou e/ou te prejudicou na vida pessoal? RAQUEL PACHECO - Ter um pseudônimo mais conhecido do que o próprio nome muitas vezes prejudica, principalmente porque é difícil fazer com que as pessoas consigam ver que há uma pessoa como elas atrás daquele pseudônimo. Mas o Bruna Surfistinha, em si, me deu muita sorte, fui feliz nesta escolha, mesmo que tenha sido por um acaso. Por ser um nome que naturalmente chama atenção... então me ajudou bastante. Por enquanto, fui prejudicada apenas com o fato de ter de convencer as pessoas a me chamarem por Raquel e não mais Bruna. Mas um dia eu consigo! Click(IN)VERSOS - Na infância você viveu o preconceito por ser gordinha, depois o preconceito por ser garota de programa. Você ainda sofre preconceito por causa de sua história de vida? RAQUEL PACHECO - Infelizmente, ainda sofro preconceito, sim. Principalmente pelo simples fato de muitas pessoas não acreditarem que realmente eu parei de me prostituir e isso já é um sinal de preconceito. Demorei a aprender a lidar com isso, mas hoje dou risada das críticas que recebo. Também aproveito para analisar as reações das pessoas e já cheguei a várias conclusões em relação ao preconceito que surge quando o assunto é sexo. Click(IN)VERSOS - O fato de ser uma ex-garota de programa que escreve livros atrai preconceito das pessoas do meio literário? RAQUEL PACHECO - Ainda não reparei se há preconceito no meio literário, mas deve haver sim, não tenho dúvidas. Deve existir escritor que fala mal de mim só porque o meu livro vende mais do que o dele. Existem muitas maneiras das pessoas demonstrarem preconceito. Mas não me esqueço que um escritor brasileiro enviou à editora Panda um livro dele para mim, com uma dedicatória bonita, me desejando boa sorte no mundo da literatura. Fiquei emocionada com a atitude dele. Click(IN)VERSOS - Em algum dia em sua vida você imaginou que escreveria livros? RAQUEL PACHECO - Sim, comecei a ter vontade de publicar um livro ainda na adolescência, quando na época eu estava depressiva e passava horas seguidas escrevendo num caderno, trancada em meu quarto. Nesta época, ainda não passava pela minha cabeça que eu sairia da casa dos meus pais, me prostituiria, enfim, que eu teria uma vida tão intensa para contar numa biografia. Click(IN)VERSOS - Você se considera um escritora ou não? RAQUEL PACHECO - Em partes. Não escrevi os meus livros e sim, o jornalista Jorge Tarquini. Mas isto não significa que eu seria incapaz de escrever um livro sozinha. Eu escrevo no meu blog (diário virtual), sempre gostei muito de escrever e de ler. Há alguns meses escrevo algo como uma tese. Como o meu sonho é me tornar psicóloga, sei que o que tenho escrito nesta “tese” será de grande valia para mim. Quem sabe até futuramente não se torna um livro. Click(IN)VERSOS - Tem interesse de continuar escrevendo? RAQUEL PACHECO - Nunca digo nunca. Não posso dizer que nunca mais publicarei um livro, pode ser que sim, pode ser que não. Mas tenho muito interesse em publicar, sim. Click(IN)VERSOS – Se for escrever um próximo livro, você usará a colaboração de algum jornalista? RAQUEL PACHECO - Não vejo problema em receber ajuda de jornalista para escrever livros, considero os trabalhos do Jorge Tarquini maravilhosos, ele soube transcrever extremamente bem os depoimentos que concedi a ele. O fato de ele ter escrito dois livros contando a minha história abriu muitas portas a ele também. Hoje ele tem uma vida cheia de compromissos profissionais, tanto quanto a minha. Uma mão lavou a outra. O único livro que quero que seja de minha autoria é o qual pretendo publicar quando já estiver formada em psicologia. Se surgirem outros e, caso o Tarquini queira colaborar novamente, eu adorarei. Click(IN)VERSOS - Você escreve ficção? Tem vontade de escrever contos eróticos? RAQUEL PACHECO - Não escrevo ficção, pois não tenho paciência nem criatividade para ficar criando histórias. Mas em compensação gosto muito de ler livros com histórias fictícias. Em relação a contos eróticos, eu não teria a mesma criatividade, me basearia em histórias que vivi, mudando alguns detalhes talvez. Já fui convidada por uma revista masculina a ter uma coluna de contos eróticos. Na época não aceitei por falta de tempo, mas se surgir novamente outra proposta assim, eu aceitarei sem problemas. 16Jun2007 - 17:25 | ( 0 ) comentários
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