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CANÇÃO DO VERISSIMUS Canticum Verissimi 

Porque a vida é para ser cantada... Quia vita cantanda est...

 

EU VOLTEI, AGORA PRA FICAR
Fiquem tranqüilos: não vou citar Roberto Carlos...

 

Depois de muito tempo, meus caros, voltei. Mais precisamente, seis meses depois... Seis meses...

Muita coisa aconteceu: alegrias, tristezas, vitórias, derrotas, empates (por que não?), dúvidas, certezas, disposições, cansaços...

O tempo tem passado muito rápido. Mesmo assim, podemos ver quanta coisa fazemos em tão pouco tempo. Ou quanta coisa nos é imposta a fazer nesse mesmo pouco tempo.

Acho que terei um pouquinho mais de tempo para "cantar" mais por aqui. Fui cobrado. "Cadê suas músicas?", uns diziam; "Desistiu de cantar?", outros indagavam. Minha resposta era sempre a mesma: "falta tempo".

Por hora, canto algo que, se não representa todo esse tempo ausente, serve para ilustrar um pouco o momento. Ao menos para introduzir as músicas que estão por vir...

Eu às vezes fico a pensar
Em outra vida ou lugar
Estou cansado demais

Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
É quando eu me encontro perdido
Nas coisas que eu criei
E eu não sei
Eu não vejo além da fumaça
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas

Eu acordo p'rá trabalhar
Eu durmo p'rá trabalhar
Eu corro p'rá trabalhar

Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
Eu não vejo além da fumaça que
Passa
E polui o ar
Eu nada sei
Eu não vejo além disso tudo
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas

(Capitão de Indústria – H. Vianna)

Bom... Até os próximos acordes (desta vez, mais breves).
D. Verissimus

P.S.: Também cantarei Bruna, lógico!

1Ago2006 - 12:47 | ( 10 ) comentários
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NÃO COMENTAREI NADA (APENAS CANTAREI)

NALGUM LUGAR (Zeca Baleiro, Augusto de Campos, E. E. Cummings)

Nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio: no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa (2X)
ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua intensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas

 

1Fev2006 - 02:16 | ( 7 ) comentários
* * *

Olá, galera! Sábado à noite em casa e eu no micro: coisas cada vez mais raras de acontecer. Conforme o combinado, Paralamas...

O LONGO CAMINHO PARALÂMICO (ou "Meus amigos mandam muito bem")

Há pouco tempo, no trabalho, um amigo me perguntou, sabendo que eu gosto muito de Paralamas, qual era meu disco preferido deles. Comecei a destacar a beleza de "Nove Luas", as misturas de "O Passo do Lui", "Big Bang" e "Bora Bora", o maravilhoso compilado de "Arquivo", a energia ao vivo de "Vamo Batê Lata", o requinte ao vivo de "Acústico", o tom de anacrônica nostalgia de "Cinema Mudo", o maravilhoso "Hey Na Na" e não consegui definir nada. É tudo muito bom. Assim como os não lembrados "Selvagem", "Uns Dias – ao vivo" e o recente "Hoje". Deixei claro, a meu amigo, que gosto de tudo deles.

No entanto, não posso negar que tenho um carinho muito especial por "Longo Caminho". Não vou cair no clichê de dizer que é por causa da retomada dos Paralamas após o acidente de Herbert. Cada música me atrai de tal forma que, mais uma vez, posso confirmar uma tese: Herbert é meu amigo e compõe muita coisa legal para mim.

Encanto-me com a agressividade inicial de "O Calibre", marcada pelo encaixe perfeito da contagem da bateria com a guitarra distorcendo nos primeiros versos da música – realidade cada vez mais difícil de agüentar.

"Há dias de prazer e dias ruins". É por isso que a faixa título é tão real. "Foi um longo caminho até aqui: um dia longo, agora chove". Oscilações presentes no dia-a-dia de guerreiros...

Guerreiros? Soldados? "O soldado da paz não pode ser derrotado, ainda que a guerra pareça perdida, pois quanto mais se sacrifica a vida, mais a vida e o tempo são seus aliados". Mais retrato de nossa briga diária, com grande incentivo: "Não há perigo que vá nos parar". Aqui, meu amigo tem as parcerias de Da Gama, Bino, Lazão e Toni.

E o que dizer de "Sigo palavras e busco estrelas: o que é que o mundo fez pra você rir assim"? Só quem tem de perto um
belo sorriso pode vivenciar bem esses versos: eu os tenho! "Já não consigo não pensar em você". Combinar tais versos com "a esfinge da espera" também é o máximo!

"Palavras duras em voz de veludo": "Cuide bem do seu amor" é um daqueles hits que podem até ficar mastigados, mas que irritam menos por ser muitas vezes executada nas rádios, e muito mais por ser uma exortação aos corações cada vez mais insensíveis da raça humana. E, que eu saiba, é difícil ver exortação cair bem... "Há um segundo, tudo estava em paz..."

A beleza da triste "Amor em vão" está no conjunto letra, melodia e uma "barônica" e melancólica bateria. Coisa linda! Apesar de tudo, ficam os versos finais: "Mas tudo vai passar como tudo passará".

Poderia ficar aqui horas e horas. Deixo para outros dias. Afinal de contas, o corpo paralâmico de meus amigos continuará a mexer. Corpo de BARÔNico coração pulsante, mente BIequilibrada e serena, impulsionados por alma VIÂNNica sempre disposta a cantar.

D. Verissimus

P.S.: Não sou de fã-clube. Apenas admiro o que é bom!

 

7Jan2006 - 23:55 | ( 3 ) comentários
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Após vários dias de silêncio, o que me permitiu até descobrir que o silêncio é um parâmetro musical (valeu, Márcio!), estou de volta. Nesse tempo, pude ir pensando no que postar. Em breve, vocês acompanharão. Vem aí, PARALAMAS: música à parte em minha vida. Enquanto isso...

QUANDO A MÚSICA SÓ FEZ SENTIDO NAQUELE EXATO MOMENTO...

Nesse tempo de silêncio, fiquei imaginando o que cantar para você, leitor, quando voltasse. Até já tinha o conteúdo arrumado no campo de minhas idéias (sim, só no campo das idéias, pois tenho aprendido a escrever sem rascunhar). No entanto, por ocasião do Natal, algo não poderia ser deixado de lado. Tinha de ser o próximo post. Apresento-lhes a música... Peraí! Não sei seu nome! Aceito sugestões...

Foi numa manjedoura que nasceu Jesus
Ele veio reinar sobre a Terra, trazer a paz e a luz

Hoje adoramos o Salvador, Menino Deus
Na bela noite dado pobre aos seus
Hoje adoramos o Cristo vinho e pão
Sangue e corpo da redenção.

Cristo, filho Deus de amor
Que os corações dos homens encontrem a boa vontade em ti
Para que imitem as tuas boas obras
E agradeçam tua entrega na comunhão

Diego Verissimo

Pois bem! Era quarta-feira (a missa no sábado) e precisávamos de uma música para o momento de Ação de Graças. Pensávamos, pensávamos e não conseguíamos escolher uma música que se adequasse. Peguei o papel e a caneta, e comecei a escrever a letra. Depois, coloquei a melodia. Ao final, quando ensaiamos, acertamos as vozes e tudo mais, fiquei com a impressão: "caramba, não tive inspiração nenhuma; essa música está puramente humana; música sendo feita assim NÃO FAZ SENTIDO..."

Entretanto, era a música que tínhamos e, ensaiada, até que ficara bonita. Mas não tinha, em meu coração, aquele "algo mais". Não fazia efeito. Era só mais uma música bonita.

Sábado à noite. Minutos antes da missa de Natal começar, lembro-me de ter virado para Deus e dito: "O que tivemos para dar foi essa música. Ainda não senti nada com ela, mas faça valer a pena!"

Quem esteve na missa em minha paróquia viu como foi o momento de Ação de Graças (após o momento belíssimo do canto de comunhão em várias línguas): a igreja toda apagada e, de repente, o padre expõe o Santíssimo para a assembléia. Cena admirável! E nós cantando essa canção que, naturalmente, era executada de forma bem progressiva, com as vozes crescendo em alguns momentos. Tudo muito belo, muito intenso, muito rico! Enquanto cantava, ia me lembrando do que pedi, e fui percebendo, diante de tal cena, que ela começava a FAZER SENTIDO para mim...

Hoje vejo que também levamos ouro, incenso e mirra naquela noite...

D. Verissimus

P.S.: Meu aniversário passou. Pais, namorada, amigos, pizza, conversa, presentes... Que chegue logo 26/12/2006!

31Dez2005 - 01:40 | ( 2 ) comentários
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Para quem chega agora, vale a pena olhar o post anterior a este e entender todo o contexto, aproveitando que ainda estamos nos acordes iniciais desta canção a que tenho me dedicado. Seu ritmo ainda é incerto, visto que apenas uma semana e um dia depois é que outra nota foi inserida. Enfim, cante comigo...

SEM INSPIRAÇÃO, CANTAR...

Há uma chuva insistente lá fora. É o tal panorama de quando não vemos o lindo céu já falado aqui e cantamos assim mesmo. Para alguns, essa chuva seria inspiração. Pra falar a verdade, muita inspiração! Para outros (leia-se "Verissimus"), ela "inspira falta de inspiração".

Ainda que justificando a redundância, é possível cantarmos sem inspiração (se quiserem entender como não vendo o lindo céu, compreenderei). Cantemos canções já conhecidas, meio batidas, mas que sempre ajudam nossa alma.

Intencionalmente ou não, quero cantar. Quero cantar a beleza da água fina que cai desde a manhã deste dia (fique registrado aqui que, ao me levantar e olhar a janela, já não chove; lamento, mas agora não posso parar de escrever sobre um dia chuvoso que para mim se traduz por falta de inspiração – incrível paradoxo). Quero cantar a beleza da criança pequena que hoje me pareceu tão inocente. Quero cantar a vitória do homem que, com dificuldades, conseguiu chegar ao final – valeu, pai! Quero cantar também a criança de colo que ontem, com seus lindos olhos azuis acima de bochechas cor de rosa, me deu vontade de ser pai pela "enésima" vez. Quero cantar a pizza com recheio de amigos e amor também de ontem à noite. Quero cantar o banho, tomado de manhã, da (mesma) chuva que cai (ou caía; já não sei) hoje. Quero me cantar...

Repare como já são canções conhecidas. O que importa? Diga-me se não são verdadeiras, belas, ricas... Se não acha, creio que você precisa cantar mais...

Até o próximo acorde...

D. Verissimus

P.S.: Tenho a impressão de que este acorde foi algo como um mi menor. Particularmente, um dos meus preferidos de se fazer em um violão...

11Dez2005 - 16:24 | ( 3 ) comentários
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