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Caldeirão da Bruxa

 
A inspiração -- Parte II

“NÃO!”

O lancinante grito de agonia pôde ser ouvido por toda a vizinhança. O pobre rapaz suava frio; o peito arfava como o de um asmático. Seus olhos circulavam pelo quarto todo, como que à procura de algo. E pelo olhar, era algo que o amedrontava muito. Algo indevidamente esquecido, negligenciado; algo colocado em uma cova rasa; algo que, neste momento, estava ressuscitando.

Aquele jovem pressentia isso e foi o tal pressentimento que o despertou. Ele se sentia tão feliz, uma felicidade quase que inconseqüente; além da felicidade, ele sentia uma leveza que sequer em sonhos pensava ser possível existir. Para seu incrível pesar, se ele não fizesse algo imediatamente, esse formidável estado de graça passaria. Passaria para nunca mais voltar.

Depois da sua redenção, seu mestre conselheiro havia lhe advertido para não mexer com essas forças. Mas ele era jovem e, inconscientemente, ignorou os avisos. Agora, sofria as conseqüências.

Ele sentia, dentro de si, uma avalanche impiedosa marchando de forma descontrolada. Ele tentou resistir; tentou heroicamente. Mas a simples visão quotidiana daquilo sobre o que ele havia sido advertido era mais forte. Sua débil força de vontade não opunha resistência suficiente. Em breve ele sucumbiria. Voltaria a ser o que era antes. Esse seu ‘inimigo’ o colocaria em rota de colisão com a frieza da própria morte!

Céus! A mera compreensão daquilo que vinha ao seu encontro o deixou atônito. “De novo não!”

 

 

Mostrando seu rosto pálido, cavalgava de volta até ele a mais densa e profunda escuridão.

 

30Dez2007 - 20:01 | ( 6 ) comentários

Recomendaram-me escrever uma carta de amor.

 

Impossível! Não saberia como... não o conheço.

8Dez2007 - 19:34 | ( 2 ) comentários

A inspiração

 

 

A força que o impelia havia se extinguido. Aquilo que o movia a ser o que ele sempre foi havia partido. Sua força criadora não mais existia. Não, ele não conseguia criar mais nada. Mas por quê? O que havia lhe acontecido? Ele sabia o porquê, mas se recusava a aceitar. Talvez por ser bom. Ou ruim. Ruim ou bom, “os que tiverem ouvido que ouçam”.

Depois que ele perdeu seu espírito motivador, vivia muito melhor; dormia o bom sono; estava em paz consigo mesmo e o mundo; enxergava as coisas claramente, sem os óculos escuros que sempre usou. Porém, não conseguia fazer mais nada.

 

Sua força criadora, sua inspiração?

 

A mais densa e profunda escuridão.

24Nov2007 - 21:06 | ( 2 ) comentários

CONTRIÇÃO

 

 

Espero que um dia Deus possa me perdoar...

 

É mais forte do que eu!

13Out2007 - 02:21 | ( 1 ) comentários

 - O pior de tudo isso - disse o jovem com não mais do que 25 anos, convidado meu para tomar uma cerveja em qualquer barzinho nos Jardins - é ver a vida passar diante de mim...

Nesse momento ele fez uma pausa, gesticulou lentamente, com os olhos vazios olhando para o nada, a mão fazendo um movimento da direita para esquerda e continuou:

 - ... e eu servindo apenas de espectador.

27Set2007 - 02:47 | ( 3 ) comentários

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