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AS TARDES EQUATORIAIS

         VIETNÃ

 

O garoto indefeso, mas sereno,

Prepara o seu derradeiro suspiro.

O Soldado, sanguinário e pequeno,

Engatilha o seu fatídico tiro.

 

Na rua morta, uma brisa estapafúrdia

Mima o rosto da vítima indefesa.

O algoz cumprirá, em meio à balbúrdia,

Seu ato de patriótica vileza.

 

Súbito, um eco louco e fratricida

Rompe os miolos e arrebata a vida

Do jovem que instante algum estremeceu!

 

Sangue espalhado! Tarefa cumprida!

Ufano soldado! Pátria defendida!

O menino está morto, mas quem venceu?

 

               Sérgio Guilherme

 

17Mai2008 - 13:18 | ( 0 ) comentários

ESPELHO MEU

 

Quem te fez assim?

Quem te deu o dom

De fazer bom

O que é ruim?

 

Quem te fez atento

Às coisas sem valor?

Quem te fez tão frágil

Aos ataques do amor?

 

Quem te fez palhaço?

Quem te fez soturno?

Quem te deu a Terra

E não deu Saturno?

 

Quem te fez as mãos

Que plantam sementes,

Que rompem fronteiras,

Que quebram correntes? 

 

Quem te fez real?

Quem te fez verdade?

Quem te fez cativo

Da total Liberdade?

 

Quem te fez tão pouco?

Quem te fez completo?

Quem te fez caminho

Torto, incerto, repleto?

 

Quem te fez presente

E futuro incerto?

Quem te fez oceano?

Quem te fez deserto?

 

Quem te fez estrela?

Quem te fez luar?

Quem te fez partir?

Quem te fez chegar?

 

Quem te fez cansaço?

Quem te fez descanso?

Quem te fez feroz?

Quem te fez tão manso?

 

Quem te fez clarão?

Quem te fez um breu?

Quem te fez poeta?

Responda, espelho meu!

 

                       Sérgio Guedes

17Mai2008 - 13:15 | ( 0 ) comentários

A VER NAVIOS

 

Se as minhas palavras se perdem no nada

Não me importo

Nem se estou só no porto

 

A ver navios

Eu apenas me entrego a este vôo

E flutuo sobre o rio

 

Arrebento meus sonhos da alma

Inundo meu olhar absorto

Se a vida é um salto louco

 

Eu corro pros seus tentáculos

Quero estar preso a ela

Ser herói neste espetáculo

 

Se as minhas palavras têm um fundo oco

É que a poesia é infinita

Não tem estorvos

 

Estou no porto a ver navios

Sensações viajam

Pelo meu sangue caboclo

 

            Sérgio Guedes

12Mai2008 - 19:04 | ( 0 ) comentários

EU ESTOU

 

Eu estou no impossível do teu pensamento

Nas flores que já nem lembras que plantaste

 

Eu estou na chuva que te acalma o tormento

Nas torres dos palácios, nos cristais, nos trastes

 

Eu estou onde a vida urbana não estende a vista

No riacho, no silêncio, na distância da floresta

 

Eu estou na poesia que não te pôde ser dita

Na tristeza do fim de tarde que te encrespa

 

Eu estou na notícia que não te incomoda

Na vontade de chorar forçadamente contida

 

Eu estou junto às sobras de tua poda

Nas paixões que transbordaram em tua vida

 

Eu estou no infinito do teu desespero

No fundo dos abismos para te redimir

 

Eu estou nas tempestades, nos teus atropelos 

No eterno desejo de fazer parte de ti   

 

                  Sérgio Guedes

24Abr2008 - 11:47 | ( 0 ) comentários

POEMA DE PAZ

 

A paz sob meus pés no meu país

Encravada no solo, na seiva das árvores

Plurificando rosas, risos, marés

 

A paz petrificada nas pétalas

Súbita, abrupta, rútila nos remansos

Acobertada, aconchegada, chuviscada na tarde

 

A paz viva, veloz, veludosa na varanda

Estampada no fim do tempo, na foz do tálamo

Nos píncaros, nos pórticos das acrópoles       

 

A paz pacífica, sem necessidade de provas

Imponente, imantada, de infinita insaciabilidade

Falo da paz perene dos teus poros em meus dentes   

 

           Sérgio Guedes

24Abr2008 - 11:36 | ( 0 ) comentários

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