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"COBRAS & LAGARTOS" USA VELHAS REGRAS DAS NOVELAS COM CRÍTICA SOCIAL

Como já era previsto, "Cobras e Lagartos" estreou nesta segunda-feira para fazer o espectador esquecer "Bang Bang". Em vez dos cenários de Velho Oeste e personagens bizarros da novela anterior, a novela estreou com muita ação, ambientes luxuosos, muitos núcleos familiares e personagens pra lá de previsíveis.

Estranho ver Omar Pasquim, o personagem de Francisco Cuoco, como um sujeito velho deslocado no meio de um monte de belas moças e rapazes com menos de 30, curtindo a vida como numa propaganda de cigarro, ganhando um torneio de motocross e praticando mergulho.

O autor, João Emanuel Carneiro, é bom conhecedor da história das novelas e parece ter se inspirado em outro milionário excêntrico, o Volpone (Ney Latorraca) de "Um Sonho a Mais", de 1984. Como Volpone, Omar vai se disfarçar nos próximos capítulos para descobrir segredos das pessoas à sua volta.

Em seguida, a mocinha Bel (Mariana Ximenes) provou toda a sua bondade e desprendimento ao recusar um apartamento "muito grande" do noivo Estevão (Henri Castelli) e dando um perfume caseiro para o tio Omar. Ele já pensa em fabricá-lo em grande escala para obter lucro, ela também recusa.

Os bons e os belos

Boa parte dos personagens já entrou em cena, entre bons atores jovens (Lázaro Ramos, Taís Araújo, Daniel de Oliveira, Mariana Ximenes) e outras apostas mais arriscadas de estrelas globais que se destacam mais pela beleza do que pelo talento. O casal de vilões Carolina Dieckmann e Henri Castelli ainda vai ter que comer muito feijão para mostrar que podem concentrar as maldades da história. Cléo Pires já repete o "charme rebelde" da Lurdinha pouco mais de quatro meses depois do fim de "América".

O bloco dos veteranos está garantido com Marília Pêra, figura fácil na TV nos últimos anos ("Começar de Novo", "JK") e que já se mostrou impagável nas primeiras cenas como a perua arrivista Milu, irmã de Omar.

Outras mulheres fortes e carismáticas apresentaram suas famílias em situações agitadas de discussões e problemas: a romântica Silvana (Totia Meireles), a carola Eva (Eliane Giardini), a refinada Celina (Ângela Vieira). Todas com muitos filhos e muita dor de cabeça.

Macunaíma

Mas a grande aposta fica mesmo por conta de Foguinho, o primeiro papel de Lázaro Ramos em novelas. Ele é um homem-sanduíche, daqueles que passeiam o dia inteiro pelo centro da cidade "vestindo" placas de compra e venda de ouro. Um fracassado na vida, em suma.

Em uma cena, Foguinho tenta entrar na luxuosa boutique Luxus, claramente inspirada na Daslu. É barrado na portaria e só entra ao dar a sorte de chutar um nome que consta do cadastro da loja. Há menos de um mês, um atendente das Casas Bahia foi orientado a entrar "por um cantinho" da Daslu no coquetel de lançamento do livro de MV Bill na Daslu, segundo reportagem da "Folha de S. Paulo".

Logo depois, Foguinho entrou numa concessionária bem-vestido e conseguir fazer o test-drive de um carrão. O brasileiro pobre e malandro se virando como pode para usufruir um pouco das maravilhas do capitalismo e da globalização.

No final do capítulo, foi a vez de Ellen (Taís Araújo) ser barrada na entrada da festa de Omar - também por ser negra.

"Cobras e Lagartos" aposta nas regras mais básicas do folhetim, até porque a Globo precisa recuperar a audiência perdida. Mas Carneiro não é bobo, e deve inserir ao longo da trama críticas sociais importantes. Só por isso já vale ficar de olho na nova novela.

25Abr2006 - 09:27 | ( 0 ) comentários

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GLOBO FAZ VALE-TUDO EM "COBRAS & LAGARTOS" PARA SE MANTER LÍDER

Poucas vezes se viu a Globo investir tão forte numa novela das sete como agora faz com "Cobras & Lagartos", que estréia nesta segunda (24). Para recuperar os vários pontos de audiência perdidos com "Bang Bang" e contra-atacar o sucesso de "Prova de Amor", da Record, a emissora montou uma equação que fecha o cerco ao telespectador.

Do autor ao elenco e das ações publicitárias nas ruas às chamadas na TV, "Cobras & Lagartos" vem com a missão de recuperar um ibope que chegou a cair para 30 pontos com a trama assinada inicialmente por Mário Prata (depois substituído por Carlos Lombardi), índice cerca de dez pontos abaixo do esperado para o horário.

Divulgação
Com apliques, Carolina exibe cabelo louro-branco
Com apliques, Carolina exibe cabelo louro-branco
Esta é a segunda novela do jovem escritor João Emanuel Carneiro, 35, na emissora. Sua "Da Cor do Pecado" (2004) foi um dos melhores resultados da Globo no horário (quase 50 pontos de média). A direção fica a cargo de Wolf Maia --que, mais uma vez, terá a filha Maria Maya atuando em um trabalho dirigido por ele.

As ações de divulgação da nova trama vão além das aparições do elenco em programas da casa (como aconteceu no "Domingão do Faustão" deste domingo) e das chamadas --que vêm em estilo turbinado por um dinamismo acima da média. Rio e São Paulo assistiram a desfiles de pipas, marionetes gigantes e carros de som. Quem passa pelo final da avenida Paulista, já quase na rua da Consolação, vê um ovo gigante de onde saem bonecos de cobras e lagartos.

Trama

A nova novela das sete traz Mariana Ximenes e Carolina Dieckmann nos papéis principais, como as primas Bel e Leona. A personagem de Carolina, a grande vilã da história, passa-se por amiga de Bel, mas está interessada na herança que a garota deverá receber do tio, Omar Pasquim (Francisco Cuoco).

Divulgação
Daniel de Oliveira, o Duda, é apaixonado por Bel
Ao lado de Leona está Estevão (Henri Castelli), de quem se torna amante para colocar as mãos no patrimônio que será da prima. Ele é noivo de Bel e finge ter uma doença gravíssima para convencer a boa moça a não colocar um ponto final no relacionamento. A mocinha, porém ama Duda (Daniel de Oliveira), um motoqueiro pobre.

O elenco inclui ainda Cléo Pires, Ângela Vieira e Herson Capri. Lázaro Ramos vai trabalhar ao lado da mulher na vida real, Taís Araújo (protagonista de "Da Cor do Pecado", com quem formará um par romântico.

"Cobras & Lagartos" também conta uma história de ascensão social e faz menção a "templos de consumo" como a paulistana Daslu, por meio da Luxus (de Omas Pasquim), que se contrapõe ao comércio popular do Rio de Janeiro, o Saara.

Record

Preparada para a nova investida global, a Record irá dinamizar a trama de "Prova de Amor" nesta semana. A novela das sete da emissora, que mantém média de 20 pontos no Ibope (com um registro de pico de 27 pontos), antecipará a maioria dos desfechos dos personagens principais.

Divulgação
Mariana Ximenes e Daniel de Oliveira, casal protagonista
Mariana Ximenes e Daniel de Oliveira, casal protagonista
Nesta segunda-feira, a policial Diana (Patrícia França) conseguirá prender o assassino de seus pais. Na terça, o psiquiatra Marco (Ricardo Pereira) será assaltado, baleado e morto na rua; além disso, Joãozinho (Pedro Malta) encontrará o pai.

Na quarta, o vilão Lopo (Leonardo Vieira) beija a vilã Elza (Vanessa Gerbelli), enquanto Gerião (André Segatti) é preso e entrega tudo sobre Lopo à polícia.

Na quinta, começa uma perseguição de policiais a Lopo, que culmina com sua prisão; e Gui (Rogério Fróes) pede Alice (Helena Xavier) em casamento. Sexta é dia de Diana receber sua sentença de morte, dada por criminosos.

A trama, naturalmente, não pára por aí. Reviravoltas já estão previstas. "Prova de Amor" foi esticada pela segunda vez, agora até julho. Assim, ela passa de 190 para cerca de 220 capítulos.

23Abr2006 - 20:58 | ( 0 ) comentários

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JOÃO EMANUEL CARNEIRO USA COBRAS & LAGARTOS PARA CRITICAR O CONSUMO E RECUPERAR A AUDIÊNCIA

Mais jovem autor de novelas da Rede Globo, o escritor João Emanuel Carneiro, 35, se sente pressionado ao estrear amanhã, às 19h15, sua segunda novela na emissora, "Cobras & Lagartos".
Além do volume de trabalho -são, em média, 40 páginas por capítulo-, a responsabilidade de elevar a audiência do horário, derrubada por "Bang Bang", preocupa o novelista. "Estrear uma novela e fazer essa quantidade de capítulos já é uma pressão. Tento fazer o melhor porque eu gosto de idéias originais", diz. "Agora, o que vai ser de mim? É uma incógnita!"
Se houver êxito, Carneiro terá carta-branca para estrear no horário nobre da emissora, num projeto com Wolf Maya, seu parceiro na direção de "Cobras & Lagartos". "Pouca gente escreve novela. É preciso ter condicionamento físico e personalidade apropriada para agüentar as pressões, como a de se comunicar com as pessoas que assistem."
Também autor de textos para cinema e dono do melhor resultado no Ibope dos últimos dois anos com "Da Cor do Pecado", ele questiona a forma de fazer TV, mas diz aceitar o desafio. "Televisão é sempre um esboço. Há o problema de tempo, pois é preciso correr muito. Nada é 100%: o script, a gravação, o que vai ao ar, nem a intenção do ator", diz.
Em 2004, sua primeira novela teve uma média de 43 pontos de ibope (cada ponto equivale a 52,3 mil domicílios na Grande SP), com share (participação de televisores ligados) de 65%. "A Lua me Disse" e "Bang Bang" baixaram os índices para a média dos 30 pontos -o faroeste levou o share a 50%. "Achei "Bang Bang" uma novela ótima, ousada e bonita. Tenho a impressão de que as pessoas se acostumem melhor à minha novela porque ela tem uma estrutura mais tradicional, de folhetim", analisa.

Consumo
Sua novela é um drama com pitadas de comédia. "Não gosto muito de paródia; é muito anos 80", afirma Carneiro. "Cobras e Lagartos" conta uma história de ascensão social e faz menção a "templos de consumo" como a paulistana Daslu, por meio da Luxus, que se contrapõe ao comércio popular do Rio de Janeiro, o Saara. "Fui à Daslu por causa da novela. A Luxus é muito mais doida. Ela não existe em lugar nenhum do mundo. Sua idéia é um paraíso na Terra, onde todos os seus desejos possam ser realizados, mas com um cartão de crédito", conta.
Carneiro não se define como um militante de esquerda, tampouco como um crítico da sociedade. "Tem um lado crítico de falar do assunto mas também há outro lado de adesão, de quem gostaria de ir à loja e gastar. Não sou um grande consumista, não tenho paciência", afirma.
Entretanto, cabe ao autor -que é noveleiro, cinéfilo e fã de quadrinhos e dos seriados norte-americanos como "Lost"- criticar o consumo excessivo da sociedade global. "Surgiu da observação à minha volta, das pessoas consumistas. O Brasil é o país com maior endividamento da América Latina. Para mim, o mote da novela é o contraponto a esse mundo luxuoso, que é o comércio popular; e também a possibilidade de o personagem batalhador se tornar o dono de um poderoso império", diz.
Seu protagonista, vivido pelo ator Lázaro Ramos -também em estréia nas novelas-, será um personagem ambíguo e "perigoso", segundo o próprio autor, pelo fato de não ser tão politicamente correto quanto se espera e também por fugir a algumas regras ou cometer pequenos delitos para se dar bem na vida. Logo nas primeiras cenas, Foguinho faz um test-drive num carro de luxo e não devolve o veículo à concessionária.
"Cobras & Lagartos" terá 24 personagens, menos do que a primeira novela, que tinha 32, regra que Carneiro traz das obras de Cassiano Gabus Mendes (1929-1993) e adaptação à dificuldade de reservar elenco para sua obra. "Eu acho que o Wolf [Maya] está me ajudando muito a contar essa história. Ele é muito autoral e dá a cara que eu queria dar à novela. Espero fazer muitos trabalhos com ele no futuro", afirma. Ele não considera as novelas obras escapistas. "O povo precisa de fábula. A realidade é muito dura."
Carneiro usa a reação do público e as pesquisas realizadas internamente pela Globo em favor da novela e escreve de acordo com o gosto dos espectadores. "Eu gosto de ver TV na rua. Sento no restaurante e quero ver a reação das pessoas. Quando fiz "Da Cor do Pecado", eu sofria uma angústia. O ibope é muito real e as pessoas comentam. Quanto mais as pessoas reclamam, mais elas assistem."

23Abr2006 - 18:12 | ( 0 ) comentários

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COBRAS & LAGARTOS TERÁ 3 CDS SIMULTÂNEOS

Com Cobras e Lagartos, pela primeira vez serão lançados três CDs de uma mesma novela ao mesmo tempo. Segundo Wolf Maya, diretor da trama, a produção tenta engatar simultaneamente os já tradicionais nacional e internacional e mais um terceiro com quase 20 músicas daquelas que você nunca compraria no mesmo CD.

- Será formado por músicas que você nunca ouviria em lugar nenhum e que você adora e que o povo ouve, principalmente lá no Saara. No dia-a-dia do centro comercial, tem a Rádio Saara que toca música sem parar - sertanejo, axé, forró, rap, funk, todo o tipo de música. É uma trilha muito divertida, muito curiosa, conta Wolf.

22Abr2006 - 15:14 | ( 0 ) comentários

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ENTREVISTA: JOÃO EMANUEL CARNEIRO 2

TV Globo/João Miguel Júnior

Autor de Cobras e Lagartos, próxima novela das sete da Globo que estréia na próxima segunda-feira, dia 24, João Emanuel Carneiro se prepara para uma rotina pesada. Pretende acordar às 11h e escrever até a hora da novela. Depois, vai assistir à novela, editar o capítulo e ainda sair à noite.

Todo esse pique não é energia de principiante. Apesar de Cobras ser a segunda novela de João Emanuel Carneiro (ele estreou em 2004 com Da Cor do Pecado), o autor tem grande experiência com roteiros de filmes premiados como Central do Brasil (1998) e mais recentemente Deus é Brasileiro (2003) e A Dona da História (2004). Na tevê, o autor foi colaborador nas minisséries Os Maias (2001) e A Muralha (2000).

O nome Cobras & Lagartos, surgiu quando João Emanuel percebeu que havia “muita gente terrível na trama”. Na linha dos personagens venenosos, o protagonista Foguinho, interpretado por Lázaro Ramos, não pode ser lá considerado um mocinho. Mas também não é um vilão.

- Ele é um Macunaíma que tem empatia, mas que tem também um lado do safado, do esperto, do romântico, do mentiroso e do sobrevivente. É um pouco ético e um pouco antiético também, diz o autor, que, em material cedido pela Globo, conta um pouco sobre a trama e antecipa o enredo no bate-papo abaixo.

Qual o tema central de Cobras & Lagartos? O que você destacaria na trama?
João Emanuel Carneiro: É a história de um homem, dono de uma loja de luxo, que está doente e, ao descobrir que vai morrer, não sabe para quem vai deixar a herança, já que tem uma sobrinha, a quem ama muito, e outros sobrinhos e parentes que são cobras. O conflito aumenta quando ele descobre que o noivo da sobrinha adorada é um pulha. A partir daí, ele se dá conta que, antes de morrer, deve dar uma de cupido e achar um outro noivo, alguém com um coração de ouro para a sobrinha.

Como o humor aparecerá na trama? Que personagens darão este toque à novela?
JEC: O humor estará representado no Foguinho – ele é dramático, mas também é bem-humorado -; na Ellen, uma vilã palhaça; na família do Serafim e da Eva. Temos também o Ramirez, pai agiota do Foguinho, que é casado com a Shirley e quis limpar o sangue tendo filhos brancos.

Em toda boa novela, há uma boa história de amor. Como ele estará representado na trama?
JEC: No amor de dois músicos que se apaixonam. Ele, de uma classe social mais baixa, e ela, uma mulher que tem problemas porque não pode ter filhos. Ela é ainda uma mulher devotada a um homem que diz ser doente e que é um pulha. De certa maneira, Bel é também uma mulher que nega o tempo todo a felicidade e a possibilidade do amor. Já Duda é um jovem romântico inveterado e também um rapaz empreendedor, o que vai fazer também com que Omar o considere a pessoa ideal para ser noivo da sobrinha dele e candidato a ser dono da Luxus.

Você mencionou certa vez que Bárbara, a vilã de Da Cor do Pecado, foi inspirada “nas pessoas interesseiras que você conheceu pela vida e nas mulheres que tiveram frieza suficiente para dar o golpe do baú”. Pode-se
TV Globo/João Miguel Júnior
dizer que a Leona vem da mesma fonte de inspiração de Bárbara?
JEC: Acho que a Leona é diferente da Bárbara porque a vilã de Da Cor do Pecado tinha uma dimensão trágica, de doença, desvio, que a Leona tem menos. Leona é mais fria, calculista. A grande loucura está mais no Estevão que, no fundo, é um apaixonado pela Leona. E, quando um vilão se apaixona, ele é movido pela emoção. É diferente de um vilão de carteirinha.

É a primeira vez que você está trabalhando com Wolf Maya? Como está sendo esta parceria?
JEC: O Wolf é estimulado, é um artista de circo e traz uma energia muito grande e uma vontade maravilhosa de trabalhar o tempo todo. E ele também entende muito de dramaturgia, o que eu acho muito interessante. Ele é um criador, um contador de histórias junto comigo.

 

22Abr2006 - 15:14 | ( 0 ) comentários

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