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Título inspirado em conto de Caio Fernando Abreu 

 

Costurando a colcha

O que outrora era o   BLOGODAILON tornou-se essa colcha.

Retalhos, restos que se costuram.

Resto do esporro dos pais, de um afago carinhoso, de uma briga com os irmãos, de uma lição mal aprendida por conta de uma risada, do choro,

de uma foda mal dada, da angústia com o corpo que muda e engorda, do cabelo que cai e os fios brancos que nascem, de uma boa trepada, de uma bebedeira

ou daquele mala que teve que ser carregado.

Do que se vê na natureza, do que se consome na cultura, dos discursos perdidos, das longas noites sem dormir para entregar um trabalho urgente.

Dos lugares que visitei e que ainda quero visitar. Dos lugares e das pessoas que quero distância, da falsidade, da verdade.

E tantos outros se juntam a agulhar o coração mas tornando-nos novos e, principalmente, vivos!

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Tudo que começa
Termina

Não é com pesar que eu encerro a "Colcha de Retalhos". Ela ficará aqui como um livro, que tem começo e fim. Ou como uma colcha, que tem seu tamanho limitado...tal como é a vida.

Decidi mudar de blog. Na realidade vou colocar na conta já existente no blogger.com um novo blog cujos textos serão da mesma natureza dos que estão na "Colcha", isto é, sem natureza nenhuma.

Os outros blogs permanecem, bem como aqueles de atualização menos periódica do que esse, como é o caso do meu blog de sonhos e do "alfabeto", minha pretensão literária.

E como prova do novo espírito, o novo blog se chama LIQUIDIDIFICADOR, um trocadilho de "liquidificador" com o meu apelido por falta de nome melhor e também porque esse utensílio tem uma idéia similar à da Colcha, ou seja, misturar tudo...

Então, eis ai a nova "criatura":

LIQUIDIDIFICADOR

25Mar2007 - 08:33 | ( 0 ) comentários
* * *

Coisas que alegram os olhos
em uma sexta-feira

1) Ver a novela "Era uma vez..."

2) Ver o seriado Amazônia

3) Pra finalizar, sem foto, os policiais do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (G.A.R.R.A) de São Paulo no Globo Repórter.

 

... me assusto com tamanho ecletismo!

24Mar2007 - 02:43 | ( 1 ) comentários
* * *

A verdadeira
Inveja do pênis

Talvez está aqui a explicação para a real raiva de Cáuboi sobre Alemão:

"A ex-"BBB" Fani ficou completamente à vontade durante seu ensaio para a revista Playboy durante a tarde desta quinta (22). A equipe não teve o menor trabalho com a promotora de marketing, que circulou pelada tranqüilamente pela casa de Alphaville, locação do ensaio. Papo vai, papo vem, e Fani deixou escapar que Alemão é muito bem-dotado e que quer ficar com o loirão quando ele deixar o programa."

Tá explicado o estresse do mineiro com a sunga branca em nome "da moral e dos bons costumes". E arremato com um comentário de dona Marta que não foi para o blog dela:

"Esse lance de sunga branca é coisa de viado"

Visto a reação de Alemão tirando a camisa ao ver o argentino e jogá-lo na piscina sou obrigado a refletir sobre isso.

Ps: Vendo o GNT tive que registrar duas coisas

a) Mothern é absurdamente ridículo, um dia comentarei porquê

b) Se a Fernanda Young "escritora" era digno de riso em meio a tanta pretensão, com esse programa dela quem se irrita é a gente com aquelas caretas proto-intelectualóides dela. Ela deveria largar a ursa e casar com Diogo Mainardi!

c) Astrid Fontenelle - a Regina Casé "paulista" (embora nascida no RJ) - deveria desistir de qualquer coisa na televisão. Ela sinceramente não tem a mesma sorte de outros conterrâneos como Silvio Santos e Jô Soares que se deram bem por lá.

22Mar2007 - 20:52 | ( 0 ) comentários
* * *

BBB7
reflexões no Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial

 

Já me perguntaram outrora se eu assistia ao BBB e junto vinha um bordão “já que você é psicólogo”. Meu lado cult-wanabe se irritava profundamente mas confesso que assisti a todas as edições, exceto a sexta, disparada a mais sem graça de todas.

 

No BBB7 Boninho promoveu uma faxina étnica-social que formou um grupo inicialmente sem graça, a ponto de Pedro Bial se irritar com Boninho por falta de entrosamento com o grupo e pelo “critério” de seleção.

 

O último paredão jogou na berlinda o mais polêmico de todos: Alberto, vulgo Caubói. A minoria fã do jogo do mineiro argumenta que ele era um excelente jogador. Tenho cá as minhas dúvidas.

 

A Psicologia Social apresenta duas grandes vertentes. Resumindo grosseiramente: existe uma corrente anglo-saxã que tem como objeto de estudo é a interação entre duas subjetividades. Outra, de origem francesa, chamada psicossociologia, já incorpora aspectos das ciências sociais e pensa que a psicologia não deve somente estudar as interações, mas também a sociedade, a cultura e a história no qual esse sujeito se insere. E o que isso tem a ver com o BBB?

 

Muitas pessoas reclamam que, no Brasil se leva mais em conta a necessidade financeira do jogador do que realmente o jogo que ele faz. Postula isso como uma coisa ruim e enaltece o ideal meritocrático protestante do “povo lá de cima”. Com Alberto não foi diferente. Acredita-se que sua rejeição se deve ao fato dele ter assumido o jogo e que por isso ele foi vilanizado. Ok, acredito que a edição da Globo manipula muito, mas Alberto foi vítima de sua burrice e presunção e deparou com outro jogador igualmente assumido mas que goza de um carisma muito maior. Claro, estou mencionando Diego “Alemão”.

 

Alberto muitas vezes subestimou o público e, se você está num jogo que vale um milhão de reais, ou você é suicida ou um péssimo jogador diante dos fatos. E não temeu a edição poderosa da Globo com sua linguagem de folhetim que viu nele a personagem perfeita pra encarnar o vilão. Merecidamente.

 

E ai entra o aspecto cultural e não apenas a interação de Alberto com os demais da casa. Quem quer ganhar o prêmio tem que, de alguma forma, consquistar o público e a Ilha de Edição do programa. Senão será o vilão da vez. Usando um termo do pessoal de Recursos Humanos – área ligada à administração, ironicamente a formação de Alberto e Diego – posso dizer que Alberto foi um jogador extremamente eficiente: conseguiu formar um grupo de 5 pessoas para jogar, teve a sorte de pegar algumas lideranças e pensou em uma série de estratégias que foram bem sucedidas para eliminar Íris, Fani e Flavia.

 

Em termos de eficácia ele foi péssimo: atraiu antipatia do público – principal alvo do programa – criou uma personagem pastiche dele mesmo, no caso caubói. Pastiche porque ele se valeu  do clichê de que toda pessoa do interior lida com gado sendo que lendo a vida dele percebemos que ele é um rapaz formado em administração de empresas que passou um nos Estados Unidos (como bom mineiro) fazendo os trabalhos geralmente delegados para nós do terceiro mundo e que atualmente trabalha como analista financeiro em um hospital de Belo Horizonte. Bem diferente do Rodrigo, vencedor do BBB2, que realmente lidava com animais e cujo sonho era montar um haras.

 

Na saída ele ainda declarou “Ah, que consigam ver que é um jogo, é um programa, mas é um jogo. Não é uma novela. Espero que todos entendam que o que eu fiz foi para me defender.” Mal sabe ele que em novela, teatro e afins existe um jogo: nem sempre o protagonista é a personagem de maior sucesso, a diva do teatro se estressa quando um novato rouba a cena, atores puxam o tapete um dos outros e os textos seguem uma lógica ao serem montados. O jogo existe até mesmo quando a representação é de improviso.

 

Airton , um caso especial

 

Dedicar essa parte do texto a um participante tão insípido do jogo pode parecer estranho. Todavia não é.

 

Airton é a tábua de salvação do jogo, isto é, a forma que a Globo arrumou pra dizer “não sou racista pus um negro lá dentro”. Fato ocorrido na maior nação negra depois da Nigéria.

 

Considero ele um dos participantes mais bonitos do BBB7. E não é corporativismo étnico, pois o Alemão é digno de mexer com a minha testosterona, embora o imagine um “maracujá de gaveta” daqui a alguns anos se ele não usar parte do prêmio dele com botox. E é só.

 

Em post anterior peguei no pé dele porque ele encarna um papel que eu simplesmente detesto: o do “neguinho bobo sombra de branco”. Era uma besteira que Felipe Cobra dizia e estava Airton a repetir como papagaio. E depois foi se aliar ao Caubói que só o usou para seu jogo eficiente. Tanto é que a torcida de Alberto para primeiro e segundo lugares é para Bruna e Diego, delegando para Airton, talvez, o mesmo lugar que a nossa raça tem na sociedade. Principalmente quando não sabe se impor e, ao invés de ser reconhecido por seu nome, é chamado de “negão”, um adjetivo étnico tal como “alemão” mas com valores subjetivos bem diferentes.

 

Analy em uma festa deu uma lição sobre a “democracia racial brasileira”. Ao ver o Alemão bem vestido ela o comparou com um corretor de imóveis ou um vendedor, não me lembro bem. Para Airton ela disse que ele parecia ou com um trocador de ônibus ou jogador de futebol. Não há nada indigno em ter uma dessas duas carreiras, mas o discurso de Analy mostra os estereotipo e preconceitos existentes neste país. A ponto de Pedro Bial ser irônico ao comentar no assunto e tentar dar uma valorizada no “negão” ressaltando sua beleza.

 

Outra lição foi um papo entre Diego e Fani, no qual ele dizia que quando era criança morava perto de uma favela e que brincava com as crianças de lá, mesmo sendo ele “o único alemãozinho no meio da criançada”. Ou seja, ele fez o papel do “branco bonzinho” que “faz o favor” de brincar com a “pobraiada” da favela, mas ele se rotula como diferente no meio dela. Isso me lembra – apesar de ser uma situação diferente-  um conhecido meu branco, fã de samba e macumba que se sentia no direito de fazer comentários racistas pois afinal “não sou racista porque vou no samba e na macumba”. Enquanto conheço pessoas que são ultra-fãs de rock, detestam samba e apresentam posturas nada racistas.

 

E assim Diego conquista o público passando a imagem de cara “simples e humilde”. Ponto para o Alemão, igualmente eficiente e eficaz, coisa que ninguém na casa até agora foi.

 

21Mar2007 - 22:35 | ( 1 ) comentários
* * *

Retalhos cinzas
Sobre liberdade, burguesia, o Outro e Gary Numan

 

Na última viagem a Sampa pude acompanhar um protesto mal feito pelo ataque covarde a um professor homossexual na região dos Jardins por supostos carecas. Mal feito porque um protesto se quer magnitude e presença midiática deve ser feito durante o dia, de preferência na porta da casa do Secretário de Segurança, na Avenida Paulista ou ao menos em frente ao Palácio do Governo. Mas este é um mote apenas para o próximo retalho.

 

No mesmo dia um amigo hetero me dizia algo como "qual a validade de um protesto deste?" "será que não há coisas mais importantes para se protestar?" Não sei se ele se referia ao discurso do tipo "tem milhões de crianças passando fome e vão protestar por isso?". Vou perguntar a ele depois, mas o mesmo país patriarcal, desigual e apoiado na violência é que produz cenas lamentáveis de homofobia e crianças cheirando cola em praça pública. Se isso soa demagógico é porque diante da indagação fui obrigado a pensar assim.

 

Dias antes este mesmo amigo me falava que hoje em dia somos livres mas não sabemos o que fazer com essa liberdade. Era tema sobre liberdade sexual e ele me lembrou disso no dia do protesto. E ai vem uma série de paradoxos:

Se ocorreu a tal agressão é sinal que liberdade alguma existe. Muito pelo contrário: um grupo quer impor pela força e pela violência a sua visão preconceituosa, que no fundo é a expressão física dolorosa do pensamento social em voga.

Liberdade sexual? As revistas, jornais e TV impõem um modelo padrão de sexualidade e beleza. Liberdade? Burguesa talvez, que rompeu com os laços sangüíneos existentes antes da queda da Bastilha, mas que garante este acesso dentro de uma norma pré estabelecida e um passaporte é fundamental "grana". E juntando o pensamento calvinista, terá dinheiro quem for predestinado a isso. Se não tiver, a natureza (ou Deus) não te dotou de capacidade para tal.

Talvez também, usando o que os lacanianos adoram falar, deve ser a fraqueza da Lei. A figura paterna bem como instituições do superego social- família, religião, Estado, política, polícia/justiça- se encontram falhas e já não garante esse binômio proteção/repressão de outrora que estruturava o sujeito. Por isso, penso eu, a saída seria a exacerbação total do desejo em uma época de puro hedonismo combinado com tanatos, andando ali do ladinho, enchendo os consultórios psiquiátricos, igrejas evangélicas, terreiros de macumba e palestras de auto-ajuda de gente deprimida e "panicada". Isso sem falar no mercado das drogas, completamente compromissado com esse novo "discurso do mestre" que praticamente ordena esse gozo desenfreado, desestruturado.

E ai vem aquela velha necessidade totêmica do ser humano de precisar sempre de um algoz a lhe dizer o que é certo ou errado e, não é de se estranhar que, em uma época em que reivindicações por liberdade (em diversos níveis) afloram discursos conservadores, políticos do naipe de George W Bush, igrejas e seitas aos montes, Bento XVI e Osama Bin Laden.

Acho que era sobre isso que meu amigo queria falar comigo. Ou não!

 

E por falar nesta (des)ordem social, recomendo a leitura do texto de um amigo meu, o José Carlos, também psicólogo. Extremamente esclarecedor sobre o tema.

 

Da série: coisas boas do You Tube. Apresentação ao vivo em 1979 do sr Gary Numan. Só digo que sem ele eu não seria fã dos Pet Shop Boys e alguém que eu conheço não seria fã do Nine Inch Nails. E quem puder ir direto no site, vejam os comentários que estão ótimos. Em especial o irônico "Gothic yes, but Rock No".

 

18Mar2007 - 19:09 | ( 2 ) comentários
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O Tremendo Vacilo
do Governo Estadual Fluminense

Está no ar nas TVs deste estado uma campanha com a cantora-funkeira Perlla- favor não confundir com a cantora paraguaia de sucesso nos anos 70- sobre a questão da gravidez na adolescência. Até aí, bacana, pois não me lembro da última vez de uma campanha desse tipo na TV. E é só.

Não sei o que motivou a escolha da Perlla. Talvez o fato dela ser sucesso e ter um alcance, no caso fluminense, em diversas camadas sociais, seja na favela ou no carro de um playboyzinho, já que por aqui é bacana ouvir funk ou "música de favelado" pois confere um status de "malandragem", mas este é outro assunto. E fica como outro assunto porque Perlla apresenta uma imagem mais "asséptica" para as nossas elites: ela é branca, fala um português "correto" (entenda-se, a norma gramatical) e apresenta uma imagem bem diferente de uma Tati Quebra Barraco ou Deise Tigrona.

A propaganda reiteira uma visão típica de um país machista que delega única e exclusivamente à mulher a responsabilidade pela saúde reprodutiva. Não se trata aqui de fazer o movimento inverso, de acreditar que toda essa responsabilidade caberia única e exclusiva ao homem. Todavia, o que mais se discute, em termos de saúde reprodutiva, são temas como a negociação entre os dois lados envolvidos e a necessidade da participação masculina, tanto na prevenção, como nas próprias gravidezes e cuidado com os filhos além do financeiro.

 No caso da campanha, ela perdeu a oportunidade de trazer os "dois lados da moeda". Poderia, junto com Perlla, trazer um rapaz e chamar a atenção para a participação deles no tema. Aliás nesse sentido, somente o site da campanha traz na coluna dos links o site do programa PAPAI , feito em Pernambuco e muito tem a ensinar para o Brasil e para o mundo nesse tema.

Outro erro da propaganda: ela diz " a gente se cuida" mas não explica como. Camisinha? Pílula? DIU? Diafragma? Tabelinha? Indica somente um site, mas me pergunto: qual o alcance de um site e a quem ele se destina quando comparado com um anúncio de TV?

Quando se fala em "controle da natalidade" (essa palavra me dá arrepios), se fala sempre em uma lavagem cerebral compulsória das mulheres ou então promoção de esterelização em massa das mesmas. Muitas vezes em troca de votos.

Raramente se discute sobre aspectos que levariam a uma mudança mais concreta e duradoura, embora leve tempo, como investimento em educação, garantir o acesso a informações e aos métodos contraceptivos, promover o "empodeiramento" da mulher dentro das suas relações para que as mesmas tenham poder de negociação na decisão do método, promover a participação dos homens no tema de forma não opressiva e desfazer a idéia de que saúde reprodutiva e cuidado são assuntos "femininos". 

Cabe também admitir, de uma vez por todas, a vida sexual dos adolescentes. É justamente a negação, por parte da família e da sociedade, que mais se preocupa em "frear" os desejos sexuais (das meninas, que fique claro) cria-se uma estranha hipocrisia. Se estes temas fossem tratados de forma franca, família, escola e sociedade de uma forma geral poderia promover formas mais eficientes do acesso aos contraceptivos, para homens e mulheres, e bem como a promoção da saúde sexual e a prevenção de doenças, incluindo ai o HIV/AIDS.

Como disse a piada do Macaco Simão, outro dia na Folha: poder votar aos 16 pode. Querem reduzir a maioridade penal para que maiores de 16 respondam criminalmente. Mas transar com menos de 18, ah, isso não pode.

Fazendo um contraponto, a campanha feita pela MTV há um tempo atrás- que curiosamente tem tradicionalmente como público alvo jovens das classes A e B paulistana- apresenta Deise Tigrona falando de forma mais clara e franca que Perlla e sem a dose de "assepissia" colocada pelo Governo Estadual do Rio de Janeiro. Com todas as críticas que podem ser feiras a emissora do Sumaré, pode-se dizer que, neste sentido ela foi mais feliz.

Enfim, cabe ao governo estadual, cujo representante maior já falou sobre a hipocrisia da repressão às drogas e ao jogo do bicho, alertar para a hipocrisia maior de nossa sociedade, a forma como se lida com a sexualidade. E nisso incluiria também um debate sério sobre o aborto, coisa que na prática acontece por aqui : as pobres quando conseguem vão a um "açogueiro" suburbano sem a menor condição de higiene, enquanto as mais abastadas vão a luxuosas clínicas em Botafogo. E para estas últimas, não se discute o "controle da natalidade".

17Mar2007 - 00:12 | ( 1 ) comentários
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De volta ao Rio
com uma estranha sincronicidade

Estou eu, cá de volta em São Sebastião do Rio de Janeiro, em dias de calor, mandando torpedo pro namorado, fã de Nine Inch Nails. No meu winamp "Pretty Hate Machine" rolando solto, quando deparo com aqueles códigos chatos de identificação:

Maldito Inconsciente Coletivo!

6Mar2007 - 12:31 | ( 3 ) comentários
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Reflexões paulistas
em momento de reclusão

Aqui na Grande São Paulo corre tudo bem, na companhia da pessoa amada em dias de calor que eu nunca encarewi nesta terra. Talvez em fevereiro de 2003, mas essa é uma outra história.

Acompanhei a alguns desfiles e confesso que a Beija-Flor (escola que goza da minha antipatia) estava belíssima em sua homenagem à África, apesar deste ser um enredo clichê. Até os anos 60 um enredo desse tema era fundamental em uma época em que os enredos das escolas contavam a história do Brasil do ponto de vista da classe dominante. O Salgueiro foi pioneiro em mudar isso com "Xica da Silva" e desde então o resto é história. Os temas africanos são sempre bem-vindos mas creio que escolas como Unidos da Tijuca e Viaradouro apresentaram outras novidades que não foram devidamente premiadas. Ok, fiz o descarrego do carioca que fugiu do carnaval.

Outro tema para reflexão foi sobre a questão do "feminino/buceta castradora" levantado pelo Dudu Oliva em comentário em um post anterior meu. Vou desenvolver mais essa idéias, ainda mais em tempos em que um reality-show tem um "triângulo" (símbolo da vagina?) como símbolo de fascínio e medo para os que estão confinados.

A novela do Maneco está terminando e até que está apresentando alguns barracos interessantes, em meio a tantas mulheres-histéricas-clichê (Regiane Alves está para a mulher-boderline assim como José Dumont está para o cangaceiro/retirante) , uma menina "morena" de fazer inveja a Goeebels, os gays assépticos, Alex bunda-mole (ele me irrita), e José Mayer caidaço ainda jurando que é o mesmo cara dos tempos de Osnar em Tieta valeu a pena ver a Lilia Cabral que, mesmo vivendo uma vilã que corria o risco de cair no clichê da sua personagem "manequenta" em História de Amor, ela conseguiu diferenciar as histéricas. Outra grata surpresa, alvo de críticas minhas por achar que ela estava na novela errada, foi Danielle Winits, que mesmo vivendo a gostosona-peituda de sempre, ela conseguiu ter destaque na novela e se livrou de pagar mico em "Pé na Jaca", que provavelmente seria o seu destino. Se livrou da pura histeria da personagem e deu um tom de comédia para ele. E claro, gostei da Grazi Massafera, que sobreviveu ao carão de Natália do Vale, Ana Paula Arósio (que precisa de uma fono urgente) entre outras.

 

No mais é isso!

22Fev2007 - 10:33 | ( 5 ) comentários
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A combinação
de um celular que tira fotos com a panuerese

Aproveitando a saída de um homofóbico do BBB, mostro diretamente da parede do banheiro do Amarelinho, tradicional bar carioca na Cinelândia, ao lado da Câmara Municipal:

9Fev2007 - 05:34 | ( 6 ) comentários
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Gentileza gera gentileza
e a raiva?

Sinceramente, se "gentileza gera gentileza" como está nos viadutos da Zona Portuária carioca devo dizer que raiva (a minha) vai aumentando a medida que passa com certas coisas que acontecem. Vejamos.

Hoje a cidade acordou chocada com um fato gravíssimo de violência. A morte cruel do menino Hélio Fernandes Viettes de 8 anos. O carro onde ele estava com a mãe e a irmã foi assaltado em Madureira. As duas tiveram tempo de fugir, mas o menino teve o corpo arrastado por vários bairros ali próximos e, conseqüentemente, o menino morreu. E de nada adiantou os gritos dos pedestres que os assaltantes continuaram o seu caminho.

Em uma cidade que a cada dia que passa vai sendo "anestesiada" pela violência, parece que há uma necessidade mórbida de um fato cada vez mais grave, mais cruel para despertar uma "onda de indignação" que depois se esvai e espera outro fato mais cruel para acontecer.

Meu sentimento ao saber da notícia foi de desejar a morte dos assaltantes que fizeram isso. Nem todo meu catecismo, meu lado "meio intelectual, meio de esquerda" deu jeito para conter a minha raiva diante deste fato. Raiva "pequeno burguesa" de quem assiste ao Datena e esbraveja junto com ele.

Novamente aparecem dois discursos. Aliás um só porque até agora não vi ninguém defendendo os bandidos. O discurso direitoso fascista já está "indignado" com o fato de ter um menor de idade envolvido no crime e que só pegará 3 anos em um DEGASE (a Febem fluminense) da vida. Já até me lembrei de um crime igualmente hediondo ocorrido em Juquitiba-SP no qual um menor de idade liderou a tortura, assassinato e estupro de um casal de jovens que resolveram acampar na região.

Vejos os Bolsonaros, as senhoras que parecem saídas da novela do Manoel Carlos, taxistas reças -menciono isso porque sempre pego taxi com algum - e afins esbravejando pela redução da maioridade penal e pelo controle da natalidade em massa - para pobres que fique bem claro - algo que a Ditadura Militar (1964-1985) não conseguiu, embora tenha tentado isso.

E o jornal porta voz desse tipo de pensamento já estampa na capa essa sua suposta indignação. E faço uma pergunta aos seus editores: quantas vezes já foi capa do jornal deles a falta de merenda escolar? O número de analfabetos? A violência que ocorre dentro das classes mais pobres? As festas regadas a cocaína em Ipanema? Entre tantos outros fatos violentos que ocorrem nesse mundo de meu Deus.

Obviamente muitos vão pensar: ah Didi, você está usando outros fatos para acobertar esse crime hediondo em sua argumentação. Nada disso. Quem fez isso - até agora se tem suspeitos mas os jornais já estampam como autores - merece ser devidamente punido e acho 30 anos muito pouco para os maiores de idade envolvidos nesse assassinato monstruoso.

Enquanto dois discursos, o fascista e o pseudo-humanista brigam, a raiva vai gerando mais raiva. E mais acontecimentos violentos cada vez mais hediondos vão ganhando as capas dos jornais que em última análise estão preocupados com a grana que vai tirar do taxista reaça, da velhinha "Manoel Carlos", dos eleitores dos Bolsonaros e tantos outros que vivem nesta cidade. Até chegar o ponto em que não sobrará ninguém para as notícias. Nem para produzí-las, nem para comprá-las.

 

9Fev2007 - 05:09 | ( 1 ) comentários
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