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CONVESCOTE : sm. Bras. P. us. Piquinique.
Vamos lá! Não percamos tempo, temos a vida interira pela frente, desconexos e simples, levemos um pouco do que temos para dividir nesse convescote. Des-des-des-cul, des-cul, descupa! Peguei um ônibus para que ia para uma cidade vizinha qualquer que nunca tinha ido, para se fazer sabe-se lá o que. Lá fui eu, meio horinha, o ônibus não parava muito, creio eu que era por causa do horário, 14:30, não sei o que as pessoas faziam naquela hora pra não pegar ônibus ou esperar no ponto, eu também não sabia pra onde eu estava indo. O que será que tem lá? Será que tipo de pessoas vou encontrar ? Será que farei algum amigo? Não que eu saia por aí buscando amigos em cidades vizinhas como um doido.Aquele ator branco mármore, que faz peças cômicas aqui na minha cidade, ele mora lá, eu não gosto muito dele, acho meio metido, será que todas as pessoas que moram lá são metidas? A rua principal tinha comércios do lado esquerdo e direito, e a cidade era só aquela rua, ou seria uma avenida, por que era extensa e só se via lojas e só se ouvia uma música estranha, não era um carro de som, eram caixas de som penduradas nos postes, e as músicas eram tocadas pela rádio daquela cidade. Andei até o final daquela rua que dava para uma pracinha, quem nem parecia uma, e avistei mais ruas e percebi que aquela cidade não era apenas a rua principal. A música chata continuava.Como uma rádio podia ser tão insuportável e o pior ter caixas de som espalhadas pelos postes da cidade?! Andei mais e vi que os próximos postes não teriam aquele barulho chato de propagandas malfeitas e músicas irritantes e caminhei naquela direção. Então um figura alta, que devia vestir 48, esbarrou em mim, me jogando no chão. Me levantou e me pediu desculpas, era gago. Perguntei onde ficava a rodoviária e que queria tomar um ônibus até minha cidade. Foi bem gentil e me levou até o ponto onde ficamos conversando, no começo exitei em dar assunto, imagina conversar com um gago?! Mas ele foi argumentando coisas boas e até me fez rir, falou que quando era criança pensava dominar a cidade pela rádio que ficava no alto de um morro muito alto, que hipnotizaria as pessoas pelas caixas de som. O ônibus que eu devia pegar passou, a hora passou e veio a tarde caindo. Engraçado ele não comia nada, e naquelas 3 horas de conversa, não havia tocado sequer um minuto em comida, poderia até mesmo comprar alguma coisa, mas não, como ele era gordo daquele jeito, percebi que não falava mais gaguejando, devia ser insegurança que o fazia gaguejar, fiquei quieto e conversamos por mais uma hora, e sem gaguejos. Então comprei um biscoito desses de isopor que vendem nos quiosques que tem um espantalho na embalagem, ofereci e ele recusou. Meu ônibus ia sair, perguntei seu nome e ele respondeu gagamente: Peterson! Aí eu disse: Prazer Peterson, meu nome é Rafael. ...Não vá mais derrubar as pessoas por aí, hein?! Se não vai ter que ficar conversando com elas um tempão. Rimos, demos um aperto de mão e eu fui embora. 24Abr2006 - 09:54 | ( 1 ) lanche(s)
Andando na chuvaÛ Cá estou eu na chuva, com braços de dinossauro com poliomielite/ não omelete/ eu adoro ovo, mas mexido/ essa chuva chata batendo no meu braço, fina e fria/olha aquele cara/ pare de pensar nisso, eu tenho que aprender a controlar esses pensamentos/ não tenho mais 17 anos pra ficar pensando nisso sempre que vejo alguém, se bem que com 17 se pensa toda hora, então não preciso ter tanto medo/ oi tudo bem, você podia usar uma calça mais bonita hein?, ai a minha ta molhada/ olha a chuva!, sabia que dá pra transformar em pesquisa?/ toda vez que eu chamo minha atenção pra algum lugar eu fico olhando e na verdade só falei, olha chuva, engraçado/ eu quero comer cereais com iogurte/ subindo!/ a cabeleireira ta fechada hoje é segunda, ela trabalha aos sábados/ eu sempre penso nisso quando enfrento esse morro/ olha aquelas pessoas ali sentadas/ ta chovendo eles estão esperando passar, aquela menina ta olhando pra mim/ to sentindo/ um monte de criança/ o amor da minha vida não podia aparecer agora aqui nessa esquina?, ai, fusca vermelho de vidro fume nem pensar/ olha ali Irene, ih dei tchau pro marido dela, engraçado ela que sempre dirige o Santana, será que ele vai pensar que sou amante dela? Ou um namoradinho das filhas deles? Olha a chuva! Ih, tem um copo igual a esse lá em casa/ olha a cobra!cascavel, casca grossa/ já to chegando em casa/ se você jogar lama em mim eu te mato/ ué cadê mimimca?, ali tadinha, no meio dos vasos de planta, morrendo de frio. Isso, vou escrever sobre o que pensei na rua. 17Abr2006 - 10:58 | ( 0 ) lanche(s)
pensamentos em .S .é .R .i .e § Esses dias me achei especial, porque me disseram que a morte anda do nosso lado, a meio metro ou até menos e ela não acontecesse, atentei realmente, disseram também que isso acontece por que um motivo, estamos cumprindo uma missão. § Lá vai minha teoria, não sabemos qual é nossa missão só as outras pessoas que a enxergam. § Às vezes me irrito com pessoas ou com coisas que fazem e vejo que elas não prestam, às vezes quero que elas morram, claro que depois me arrependo de ter esse desejo dentro de mim, ter o desejo nem é tão mal, até por que sei que não vou executá-lo, será que elas tem uma missão?Deve ser a de fazer as coisas erradas do meu ponto de vista pra eu ter convicção de ver que minha missão não é a mesma deles. Um dia, soube que uma vizinha jogou o cachorro dela na lagoa, eu jogaria o meu pra ele se refrescar, não na lagoa que tem aqui, mas ela simplesmente amarrou ele, num saco. Tive o desejo de fazer o mesmo com ela, mas não deixaria ela morrer como ela fez com o cachorro eu ia salvá-la e depois ia olhar no fundo do olho dela e perguntar: Gostou? Ela merecia. Existem pessoas que me irritam e eu continuo gostando e nem penso em nada. § Não tenho a mínima idéia de qual seja a minha missão. § Acho que todos temos uma em comum, amar, vai parecer piegas, mais imagina se todos fossem amados de verdade, desde crianças, quantos adultos bons se formariam, sem medos, sem complexos e sem violência (nem no pensamento). Não tenho oito anos e isso não é uma resposta do meu caderno de ciências sobre como você gostaria que o mundo fosse. § O que acontece comigo ultimamente é que meu cotidiano se repete demais.Então tenho medo de morrer de não estar cumprindo minha missão. Mas acho que tentar é uma missão. O pior é que nem tento muito, é já estou alcançando os 24 anos faltam seis meses, não duvido que eles cheguem daqui à duas semanas. E eu ? Será que continuarei com essa cabeça, meio lerda, meio infanto-juvenil ? Deve ser porque não vivi uma adolescência de verdade, mas a culpa é minha não posso transferi-la para ninguém. § Sempre penso no campo profissional, no dinheiro ultimamente, mas não consigo me mexer. Trabalho, mas não é o que gosto, mas é o que posso fazer no momento. Posso fazer mais é claro, mas eu idealizo as coisas e acabo não fazendo nada. Eu não quero ser rico só quero ter meu canto, gosto de independência, eu sei que tenho inteligência suficiente para conseguir algo melhor do que isso que faço, mas o que me falta é força de vontade.Aí penso a morte vai me dar um choque enquanto digito essa crônica. Mas logo me vem que eu estou aprendendo a reconhecer as coisas, e em seguida vejo que já temei ciência e mais na frente percebo preciso aprender a ter atitude, me mexer, aí eu sigo minha missão desconhecida. § Viver é a coisa mais esquisita que existe, uma “missão desconhecida”. Não preciso saber o “Porque” (separado ou junto, com acento ou sem?) das coisas. Preciso apenas saber Como usar as coisas a meu favor e a favor do bem dos outros. § As vezes não entendo o que falo.
“Quem tem consciência de ser apenas uma centelha, esse é iluminado”... Lao-Tse 12Abr2006 - 09:20 | ( 0 ) lanche(s)
Cheirinhos
Acordou. Tomou café. Lavou a louça dos outros quatro, gostava de lavar as loucas. A esponja passando pela superfície lisa, a espuma, o brilhos dos talheres, um resquício de gordura e lá ia, colocava mais detergente com cheiro de maçã na esponja e retirava a sujeira. Gostaria muito de limpar a sua vida como lavava as louças, e sentir um cheirinho bom de vento, não que sua vida fosse uma sujeira e cheirasse mal, mas havia pequenas coisas que lhe incomodavam, era híbrido, não sabia como agir diante de certas situações. Eu já disse a ele: “Aja como você quiser, como você é”. Mas ele não entendeu nenhuma das vezes em que eu disse isso, se sente culpado às vezes, o que faz me sentir culpado também, me confundindo. Parou de pensar em como deixar de beirar uma bichinha, em como era um pouco egoísta e não sabia, pensava ainda na vida que queria levar e no texto que escreveria para colocar tudo aquilo que pensava e no amor que poderia a vir ser correspondido. Fechou a torneira. Tudo pronto. A emprega varreria a casa e lavaria as varandas. Decidiu arrumar seu quarto, pegou um paninho umedeceu, como sua mãe lhe ensinara a vida toda e colocou um produto com cheirinho bom, por que se você coloca só o produto, a poeira vai se misturar, virando uma lama cheirosa, então você tem que colocar água pra poeira grudar no pano e o cheirinho ficar no móvel. Limpou sua prateleira, o guarda roupa onde ficam as suas coisas e as do seu irmão mais velho, as cabeceiras das camas, o computador e por fim seu criado mudo. Ele se orgulhava de fazer aquilo não por que alguém veria, mas porque se sentia bem. Limpou a gaveta, e achou um papelzinho onde anotou algo que falou sua consciência externa, e a tal ainda que andava por aí e era consciência de mais um monte de gente. Estava escrito assim: “Ansioso e frustrado gerando angústia porque eu quero ser o eu não seu. Correndo atrás da perfeição”. Até na hora de escrever se confundia, era a pressa de que tudo se resolvesse, como se ele colocasse no papel as coisas se resolvessem depois de lidas. Vaio ter que ler muito esse papelzinho pra sua ficha cair, amiguinho. Devia estar escrito assim: Ansioso e frustrado gerando angústia porque eu quero ser o eu que não sou. Correndo atrás da perfeição”. Ele entendia o que estava escrito, mas não sabia o que fazer. Como ele seria ele, se ele se achava que era aquilo que era o tempo todo? Autentico virginiano, correndo atrás das coisas sempre certinhas, guardou o papelzinho e organizou uns papéis simetricamente com a máquina fotográfica, o perfume, uma pasta, uma caixinha e um anjinho, eram coisas do irmão dele que ele não precisava organizar, ainda mais daquele jeito. Meu deus, meu deus o quê que eu fiz para merecer isso? Ele queria ser logo quem ele era, pra viver feliz, e tudo ser perfeito novamente. Como quando era criança, tudo era perfeito, por isso seus planos e idéias aspiravam simplicidade. Varreu o quarto, ele demorara tanto arrumando tudo minuciosamente que a empregada já havia ido. Colocou o cabide, a cadeira e o banquinho nos seus devidos lugares. Olhou tudo bonitinho cheirosinho e ainda imaginou que arrumava o quarto para que alguém, um amor verdadeiro quem sabe?, viesse visitá-lo. Como se morasse sozinho, o louco. Acendeu um difusor com um óleo de limão, estava tudo arrumado, limpo, um quarto perfeito e ele estava feliz. E num estalo, lembrou que ninguém viria visitá-lo. 11Abr2006 - 10:54 | ( 1 ) lanche(s)
Insatisfação de Nº 3 "não vou inumerar insatisfções, podem ficar tranquilos."
para Adalberto P. Já tive uma paixão relâmpago por nº 3, um gostar que estava adormecido no coração e na cabeça confusa, mas é claro foi a beleza, a inteligência e o gosto musical sem dúvidas, admiração. Depois de meses fui visitar o apartamento onde nº 3 mora com mais três, um é meu primo, o outro é um amigo e o outro nem faço idéia de quem seja, não estava lá. Cheguei no apartamento por volta de 20:20, depois de ter saltado no começo da Av. N. Srª de Copacabana pensando estar perto, minha panturrilha esquerda ainda dói. Fui recebido com o abraço do meu amigo, entreguei-lhe o quadro que tinha feito pra ele e fiquei conversando, o nº 3 saiu do banheiro e me cumprimentou com um abraço. Espero que tenha lavado a mão. Irritação, desgosto e tristeza, tudo num só olhar caído e inseguro. Nº 3 falou alguma coisa que veio confirmar o que eu estava pensando. Meu amigo foi tomar banho, a noite nos aguardava. Convidei nº 3, sabia que a resposta seria negativa. “To cansado, trabalhei muito”. Será que está trabalhando em algum espetáculo? Trabalho de corpo, de personagem, de improviso, cansa. Que nada. A única coisa que improvisava ali era sua vida. Falou que começou a trabalhar numa loja de roupas, que não deixavam ele fazer testes. É ator. Imaginava que a tristeza parava por ali. Surpresa!! O telefone tocava com um som de golfinho, avisando nº 3 com mensagens estúpidas de um romance mal sucedido e imaturo. Brinquei: “Você colocou o som de uma galinha quando ela manda mensagens”? Por que o som podia ser distinguido da maneira que eu quisesse, eu queria ver um sorriso no rosto de nº 3. Ele riu rápido e disse: “Isso é um golfinho”. Fiquei triste com toda a aquela situação, não queria ficar, mas era impossível.Queria fazer algo para que ficasse quem sabe com uma pontinha de felicidade, mas eu teria que escolher as palavras para não deixar a situação chata, e eu me encontrava cansado também, desisti e pensei ele sabe o que faz, sabe o que é melhor pra ele, mentira ninguém sabe. Não ia ficar enchendo a cabeça de nº 3 com minhas idéias, não conseguira persuadi-lo. Veio aquele lanche sem cor e tomou do meu lado, depois foi dormir. Eu catei um jornal, pois não havia folhas naquele lugar e não agüentava mais ver alguém com potencial como nº 3 insatisfeito com a vida. Escrevi o que sentia nas bordas, deitei quase toda tristeza que eu havia pegado pra mim.Eu também me encontro na mesma situação insatisfeito. O pior é saber que eu posso, é só querer, de verdade. Mas eu quero muito em pouco tempo, quero agora e não consigo tirar esse pé de chumbo do chão pra eu dar o primeiro passo.Não preciso saber que direção, quero sair daqui, correr, discorrer, alcançar. 10Abr2006 - 09:39 | ( 0 ) lanche(s)
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Arte: Rafael Rodrigues 18/09/1982 fotografia, leitura, música e signos, de gente não pode ficar sem, procura algo/alguém, conhece-se um pouco e se reconhece que pode vir a ser muito.
Feelings Come Feelings Go
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