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História do Rádio Incluindo música, cinema e televisão Pelo professor Moacir Barbosa de Sousa, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
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OUTROS SITES
MÍDIA E MEMÓRIA "A religião egípcia, toda ela orientada contra a morte, subordinava a sobrevivência à perenidade material do corpo. Com isso, satisfazia uma necessidade fundamental da psicologia humana: a defesa contra o tempo". (BAZIN, André. O Cinema - ensaios. Editora Brasiliense: São Paulo, 1991. Pag. 19).
"Agradar as pessoas foi a última coisa que passou pela cabeça dos homens que inventaram o filme cinematográfico. Homens de ciência do século XIX, interessaram-se pelos princípios da fotografia e das sombras animadas porque estavam procurando um modo de tornar visível o que não era aparente à vista humana" (SKLAR, Robert. História Social do cinema americano. Editora Cultrix: São Paulo, 1978. Pag. 15)
NOS TEMPOS DA CENSURA Em 1976 o músico brasileiro Egberto Gismonti foi convidado para gravar um disco em Oslo e realizar uma série de shows em quatro cidades alemãs. Na época, para sair do país o cidadão brasileiro teria de pagar ao governo a taxa de 12 mil cruzeiros. Alegando que iria ao exterior divulgar a cultura brasileira, Gismonti pediu dispensa de pagamento do imposto. A solicitação foi negada pelo Ministério da Educação, a quem foi encaminhado o pedido. Pouco tempo depois, o MEC dispensou o pagamento da taxa por Adelaide Fraga de Oliveira, terceira colocada no concurso de miss Brasil, que iria representar o país em Londres, no concurso de miss Mundo.
O rádio nasceu sob a égide da palavra e com potencialidades educativas e jornalísticas. As primeiras emissões, no mundo, foram de cunho jornalístico, embora na ocasião não tomasse esse título. The Times, de Londres, cobriu a revolução soviética de 1917 utilizando um posto de radiotelegrafia durante as 24 horas do dia, mandando as notícias para o resto do mundo. Por essa façanha, o jornal londrino clama para si o pioneirismo do radiojornalismo mundial. A primeira reportagem do rádio foi realizada por Marconi, quando, a pedido do jornal Dublin Express, cobriu as regatas de Kingston. Colocando seu equipamento a bordo de um rebocador, Marconi seguiu as regatas acompanhado de um repórter do jornal. Durante o evento, o repórter ditava a matéria para Marconi, que reproduzia as suas palavras através de um manipulador de Código Morse. A recepção feita em terra era interpretada e enviada ao jornal por telefone.
Sobre A voz do Brasil, a Revista do Rádio (1952) divulgou notícia em que uma senhora da sociedade decide ir ao cinema à noite e antes de sair recomenda à empregada: “cuide do cachorro, Maria. Preste atenção. Feche bem as portas para ele não fugir”. Horas depois, voltando para casa e não encontrando o animal, o mundo vem abaixo. A pobre empregada só conseguiu falar: “O rádio estava ligado logo depois que a senhora saiu. O locutor anunciou - em Brasília, 19 horas. Passamos a apresentar A Voz do Brasil. O cachorro começou a latir e gemer que nem alma penada. Pulou o muro e saiu correndo a toda velocidade e não voltou”.
A primeira transmissão de televisão do mundo (destinada a apenas três casas) mostrava um homem tirando os óculos e depois pondo os óculos de novo. A operação foi realizada em janeiro de 1928 por um engenheiro da GE, o sueco Ernst F. W. Alexanderson. Desde o começo do rádio no início dos anos 20, a corrida foi para juntar e transmitir som com imagens em movimento. Dois anos antes da demonstração de Alexanderson, o escocês John Logie Baird usara um artefato para transmitir a imagem de uma cabeça humana. A GE superou o feito de Baird. Em 1937, um sistema eletrônico mais refinado que utilizava o tubo de raios catódicos foi adotado pela BBC da Inglaterra.
O Trio Nordestino, conjunto regional bastante popular no Nordeste, principalmente na Paraíba, teve assim sua formação original: Zito Borborema (pandeiro e vocal), Miudinho (vocal e zabumba) e Dominguinhos (sanfona). Luiz Gonzaga vaticinou na época que Dominguinhos seria seu herdeiro artístico.
A fome dos grandes artistas Em depoimento ao documentário O Rádio no Brasil, o cantor Nelson Gonçalves falou que após receber um adiantamento de salário, a primeira coisa que fez foi comer, pois estava há dias em jejum. O paraense Ari Lobo, autor de sucessos da música regional como Tum Tum Tum (oi, tum tum tum/acabaram com o samba/ e mataram um), Que choro é esse, e Forró do Piancó, não conseguiu fazer um teste na RCA Victor, nos anos 1950, pois estava fraco demais: há cinco dias não via comida.
Nos tempos da novela
O departamento de efeitos sonoros da Rádio Nacional foi criado por Victor Costa, diretor artístico da emissora, em 1941. O acervo do departamento contava com cerca de 4.720 discos contendo músicas e ruídos. Eles eram usados para simular os estados emocionais dos personagens das novelas. A sonoplastia da Rádio Nacional possuía grande qualidade técnica. Ela conseguia reproduzir todos os detalhes do ambiente das novelas. Na casa de um personagem, por exemplo, era possível ouvir o barulho do portão, do cascalho do jardim e do tanque de lavar roupa. Os recursos sonoros serviam também serviam para aumentar a concentração dos atores e imprimir maior realismo às cenas gravadas. A simplicidade dos efeitos sonoros era a regra na sonoplastia da Rádio Nacional. Edmo do Valle descobriu alguns dos efeitos mais importantes do rádio brasileiro. O barulho da caixa de fósforos virava uma máquina de costura. A descarga da privada dava a impressão de um submarino com vazamento em pleno fundo do mar. Um comprimido se dissolvendo num copo d'água era uma pessoa sendo atacada por formigas. No comando da sonoplastia estava o operador de som. Ele tinha que recriar os cenários das tramas usando os recursos sonoros. Os equipamentos técnicos da Rádio Nacional eram os melhores do país, o que influenciava na qualidade dos programas veiculados. A emissora carioca tinha em seu departamento de sonoplastia campainhas de vários sons, torneiras com água corrente, aparelhos que simulavam tiros de revólver, entre outros. O auge da utilização de efeitos sonoros nas novelas foi na década de 40. O som era o elemento responsável por manter o ouvinte atento durante a transmissão dos programas. Desse modo, os barulhos de portas abrindo e fechando, tiros de armas de fogo e gritos estridentes criavam o clima necessário para a concentração do público durante a irradiação de um capítulo.
O cantor Caubi Peixoto foi o primeiro brasileiro a atuar no cinema americano depois de Carmen Miranda. No filme Jamboree, da Warner Brothers, de 1957, ele participou cantando uma música espanhola em inglês.
Parlamentares donos de concessões de radiodifusão e seus problemas Uma representação encaminhada à Procuradoria Geral da República pelo Projor, entidade mantenedora do site Observatório da Imprensa, poderá provocar ações penais e civis contra 49 integrantes da Câmara dos Deputados. A iniciativa inédita dos jornalistas Mauro Malin, Alberto Dines, José Carlos Marão e Luiz Egypto, coordenadores do Projor, denuncia os parlamentares que são concessionários de emissoras de Rádio e TV, infringindo a Constituição Federal. Os integrantes do Projor encaminharam, há pouco mais de um mês, a representação ao subprocurador-geral da República, Roberto Monteiro Gurgel Santos. Ela se baseou em pesquisa coordenada pelo professor Venício Artur de Lima, do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da UnB, a partir dos dados do cadastro de concessionários do Ministério das Comunicações. Os dados restringiram-se aos deputados, poupando momentaneamente os senadores. Prática comum no relacionamento entre o governo federal e o Congresso Nacional há décadas, a concessão pública de emissoras de rádio e TV a parlamentares fere o artigo 54 da Constituição. Os pedidos de outorga ou renovação podem ser vetados pelo Congresso Nacional, desde que respaldados por dois quintos de seus membros, em votação nominal. A lista incluiu, também, dois parlamentares que renunciaram aos mandatos por denuncias de envolvimento com o “mensalão”, o ex-Bispo Carlos Rodrigues (RJ) e José Borba (PR). Além de ações penal e civil, os envolvidos podem ser punidos com a perda do mandato. 1. ALBERICO FILHO (PMDB-MA) RÁDIO FM CIDADE DE PRESIDENTE DUTRA LTDA RÁDIO SANTA MAURA LTDA SISTEMA JANAÍNA DE RADIODIFUSÃO LTDA 2. ALEXANDRE SANTOS (PMDB-RJ) RÁDIO MUSICAL DE CANTAGALO LTDA 3. ANÍBAL GOMES (PMDB-CE) RÁDIO DIFUSORA DO VALE ACARAÚ LTDA 4. ÁTILA LIRA (PSDB-PI) RÁDIO CHAPADA DO CORISCO LTDA 5. B. SÁ (PSB-PI) RÁDIO VALE DO CANINDÉ LTDA 6. BONIFÁCIO DE ANDRADA (PSDB-MG) RÁDIO CORREIO DA SERRA LTDA 7. BOSCO COSTA (PSDB-SE) RÁDIO A VOZ DO SERIDÓ LTDA 8. CARLOS ALBERTO LERÉIA (PSDB-GO) RÁDIO SERRA DA MESA LTDA RÁDIO DIFUSORA DE IMBITUBA S/A 9. CARLOS RODRIGUES (PL-RJ) TV VALE DO ITAJAÍ LTDA RÁDIO UIRAPURU DE FORTALEZA LTDA TELEVISÃO XANXERÊ LTDA RÁDIO EDUCACIONAL E CULTURAL DE UBERLÂNDIA LTDA RÁDIO ANTENA NOVE LTDA RÁDIO JORNAL DA CIDADE LTDA 10. CLEONÂNCIO FONSECA (PP-SE) EMPRESA BOQUINHENSE DE COMUNICAÇÕES LTDA 11. CLEUBER CARNEIRO (PTB-MG) RÁDIO PROGRESSO DE JANUÁRIA LTDA RÁDIO VOZ DO SÃO FRANCISCO LTDA 12. CORAUCI SOBRINHO (PFL-SP) RÁDIO RENASCENÇA LTDA. 13. DILCEU SPERAFICO (PP-PR) RÁDIO DIFUSORA DO PARANÁ LTDA 14. DIMAS RAMALHO (PPS-SP) RÁDIO TAQUARA BRANCA LTDA 15. FÁBIO SOUTO (PFL-BA) EMPRESA CAMACAENSE DE RADIODIFUSÃO LTDA 16. FRANCISCO GARCIA (PP-AM) RÁDIO E TELEVISÃO RIO NEGRO LTDA 17. GONZAGA PATRIOTA (PSB-PE) REDE BRASIL DE COMUNICAÇÕES LTDA 18. HUMBERTO MICHILES (PL-AM) REDE AMAZONENSE DE COMUNICAÇÃO LTDA 19. INOCÊNCIO OLIVEIRA (PMDB-PE) RÁDIO A VOZ DO SERTÃO LTDA (OM) RÁDIO A VOZ DO SERTÃO LTDA (FM) REDE NORDESTE DE COMUNICAÇÃO LTDA (TV) RADIO A VOZ DO SERTÃO LTDA 20. IVAN RANZOLIN (PP-SC) RÁDIO ARAUCÁRIA LTDA 21. JADER BARBALHO (PMDB-PA) RBA REDE BRASIL AMAZÔNIA DE TELEVISÃO LTDA BELÉM RADIODIFUSÃO LTDA 22. JAIME MARTINS (PL-MG) RÁDIO DIFUSORA INDUSTRIAL DE NOVA SERRANA LTDA 23. JOÃO BATISTA (PP-SP) RÁDIO 99 FM STEREO LTDA TV CABRÁLIA LTDA RÁDIO ANTENA NOVE LTDA RÁDIO ATALAIA DE LONDRINA LTDA 24. JOÃO MAGALHÃES (PMDB-MG) COMCEL-COMUNICAÇÕES CULTURAIS E EVANGÉLICAS LTDA 25. JOÃO MENDES DE JESUS (PSB-RJ) RÁDIO CULTURA DE GRAVATAÍ LTDA ALAGOAS RÁDIO E TELEVISÃO LTDA 26. JOSÉ BORBA (PMDB-PR) RÁDIO CIDADE JANDAIA LTDA (FM) RÁDIO CIDADE JANDAIA LTDA (OM) 27. JOSÉ CARLOS MACHADO (PFL-SE) FUNDAÇÃO DE SERVIÇOS DE RADIODIFUSÃO EDUCATIVA SHALOM 28. JOSÉ ROCHA (PFL-BA) RIO ALEGRE RADIODIFUSÃO LTDA RÁDIO RIO CORRENTE LTDA 29. JULIO CESAR (PFL-PI) RÁDIO FM ESPERANÇA DE GUADALUPE LTDA 30. LEODEGAR TISCOSKI (PP-SC) MAMPITUBA FM STEREO LTDA 31. LUCIANO CASTRO (PL-RR) REDE TROPICAL DE COMUNICAÇÃO LTDA 32. MARCONDES GADELHA (PTB-PB) RÁDIO JORNAL DE SOUSA LTDA SISTEMA REGIONAL DE COMUNICAÇÃO LTDA 33. MAURO BENEVIDES (PMDB-CE) RÁDIO CLUB S A 34. MOACIR MICHELETTO (PMDB-PR) RÁDIO JORNAL DE ASSIS CHATEAUBRIAND LTDA RÁDIO PITIGUARA LTDA 35. MORAES SOUZA (PMDB-PI) RÁDIO IGARAÇU LTDA RÁDIO EDUCADORA DE PARNAÍBA S/A 36. MUSSA DEMES (PFL-PI) RÁDIO CHAPADA DO CORISCO LTDA RÁDIO VALE DO PAJEÚ LTDA 37. NELSON PROENÇA (PPS-RS) EMISSORAS REUNIDAS LTDA 38. ODÍLIO BALBINOTTI (PMDB-PR) RÁDIO EDUCADORA LTDA 39. OLIVEIRA FILHO (PL-PR) SAFIRA RADIODIFUSÃO LTDA 40. OSVALDO COELHO (PFL-PE) RÁDIO E TELEVISÃO GRANDE RIO FM STEREO LTDA RÁDIO DA GRANDE SERRA LTDA RÁDIO FM VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA LTDA 41. PAULO LIMA (PMDB-SP) RÁDIO DIÁRIO DE PRESIDENTE PRUDENTE LTDA TV FRONTEIRA PAULISTA LTDA
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Primeiro merchandising da telenovela brasileira Segundo o jornalista e publicitário Hélio Kaltman (Revista de Comunicação, ano 3, nº 9, 1987, pg. 23), o primeiro merchandising nas novelas ocorreu em O Semideus, no ar em 1978/1979, cuja trama girava em torno de Hugo, estrelado por Tarcísio Meira, que se acidentava na explosão de uma lancha. Milhões de espectadores especulavam: Hugo morreu, Hugo está vivo, Hugo ficou deformado com a explosão. Na época, Kaltman trabalhava na agência Caio Domingues e Associados, que detinha a conta do Banco Halles (anos depois fechado pelo Banco Central). A produção da novela foi até a agência e propôs a gravação de uma cena na qual o personagem de Tarcísio Meira reaparecia com o rosto deformado por queimaduras, para trocar um cheque no Banco Halles. A agência aceitou, com a condição de que fosse colocado um cartaz do Halles para captação de fundos de investimento. A produção da novela global confirmou, se fosse pago uma quantia pela inseção do cartaz. Tudo acertado, conta Kaltman: "O diretor, Walter Avancini, preocupado com detalhes, não admitiu ser interrompido por estranhos como nós. Tivemos de explicar a um câmera que o enquadramento do cartaz de propaganda do Halles estava pago e se tratava de um negócio entre o cliente, a agência e a emissora. [...] Avancini foi para dentro do caminhão de externas e a cena começou a ser gravada até que um grito estalou nos microfones: - 'Tira esse negócio daí!' Depois de muito impasse, a equipe da agência de propaganda foi conduzida ao interior do caminhão de externas. " Ninguém me avisou nada dessa história de aparecer cartaz", disse Avancini. Novas discussões, até que o diretor da novela concordou. Diz Kaltman: "Hugo reapareceu na novela, gloriosamente, com um cartaz do Halles fazendo um fundo não muito discreto". Sucesso mesmo fez o jornalzinho do banco, ao desvendar em primeira mão o grande mistério da novela. 24Mar2009 - 18:55 | ( 0 ) comentários
HISTÓRIA DA MÍDIA SONORA (1) Em 1904, o sanitarista Osvaldo Cruz (1872-1917) se encontrava em meio a uma campanha pela melhoria das condições sanitárias do Rio de Janeiro. Além de promover a vacinação contra a peste bubônica, Osvaldo Cruz desencadeou uma guerra aos ratos, cruzada esta que lhe valeria uma onda de caricaturas e inspirou canções populares. Os funcionários designados para essa guerra tinham a obrigação de apresentar, pelo menos, 150 ratos por mês, sob pena de demissão. Acima da cota, embolsavam 300 réis por animal abatido. Para envolver a população na campanha, as autoridades passaram a oferecer a qualquer cidadão uma recompensa em dinheiro. Surgiram os "ratoeiros", que saíam às ruas comprando os bichos a preços baixos, para em seguida revendê-los à Diretoria Geral de Saúde Pública, que pagava 200 réis por unidade. Alguns espertos passaram a criar ratos para revendê-los e outros foram capturá-los nas cidades vizinhas. O mais famoso desses "empreendedores" foi um cidadão conhecido por Amaral, que soltou nas ruas uma equipe de ratoeiros a seu serviço. O governo terminou devendo tanto dinheiro ao "negociante", que ele foi detido e interrogado. Declarou que "comprava ratos, sim, mas ratos cariocas, procriados, nascidos e apanhados aqui no Rio". O assunto rendeu a música Rato, Rato, Rato, de Casimiro G. Rocha (pistonista do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal) e Claudino Manoel da Costa, lançada no carnaval de 1904. Na sua orquestração, os metais "rasgam" a palavra rato, rato.
HISTÓRIA DA MÍDIA SONORA (2) Os primeiros discos da indústria fonográfica do Brasil, no início do século passado, eram gravados por meio mecânico - não havia ainda microfones, amplificadores, mixers e toda a parafernália tecnológica da atualidade. Um disco virgem de 78 RPM era colocado em um gramafone e dava-se corda. Os cantores "berravam" diante do cone do aparelho para deixar algum áudio gravado. Os acompanhamentos eram, geralmente, violões, pois não havia como colocar uma grande orquestra em frente ao citado aparelho. Antes de iniciar a gravação, um locutor (também aos "berros") anunciava o nome da música e o detentor dos direitos (no Brasil, nessa fase, a Casa Edison). A finalidade do anúncio era para que os técnicos de som em Berlim, que prensavam e etiquetavam os discos, identificassem os títulos das músicas gravadas em cada lado e não se enganassem no ato de colocar os selos dos discos. As matrizes dos discos viajavam durante meses, de navio, entre o Brasil e a Europa, em porões sem o devido tratamento; muitos chegavam quebrados no destino. 30Dez2008 - 20:04 | ( 0 ) comentários
“Me Tarzan...you Jane” (2) Edgar Rice Burroughs nunca gostou da adaptação feita para o cinema do seu personagem. Tarzan era inteligente e intelectualizado. Falava 27 línguas, e sua cultura estava caracterizada na passagem em que ele dizia a Jane: “Vim através das idades, do passado nebuloso e distante, do covil do homem primitivo para reclamar você.” O Tarzan dos Macacos foi publicado pela primeira vez em outubro de 1912 na revista All Story e em 1914 foi publicada em livro, vendendo no primeiro ano mais de um milhão de exemplares. Em 1918, Hollywood levou Tarzan para as telas na interpretação de Elmo Lincoln. O primeiro filme foi feito nos bayous da Louisiana e rendeu mais de um milhão de dólares. Em 1932 a Metro Goldwyn Mayer produziu Tarzan, o homem-macaco, estrelado pelo nadador olímpico Johnny Weissmuller, que protagonizou 15 filmes. A chegada do som ao cinema trouxe o famoso grito de triunfo de Tarzan, e para isso, os técnicos da Metro produziram algo especial: mixaram trilhas com o rosnar de um cachorro, o dó de um soprano em velocidade reduzida, a passagem rápida de um arco nas cordas de um violino e o grito natural do próprio Weissmuller. Foram 24 livros de Tarzan escritos por Burroughs e traduzidos em 30 idiomas. Quando ele morreu, em 1950, o Times de Los Angeles comentou: ”Poucos escritores alcançaram um público maior, mas ele era destituído de pretensões artísticas. Não cursou nenhuma universidade e jamais esteve na África [ele tinha uma enorme biblioteca sobre a África e dizia que tinha visto o continente através de olhos experimentados melhor do que se estivesse ele próprio lá]. Dizia que escrever para ele era uma fuga – uma fuga da miséria”. Aos 67 anos, Edgar Rice Burroughs serviu na guerra do Pacífico como correspondente para o jornal Advertiser, de Honolulu. Dizem, assim, que ele pôde viver muitas das aventuras que imaginou nos livros de Tarzan.
23Mai2008 - 18:56 | ( 0 ) comentários
“Me Tarzan...you Jane” (1) O autor das aventuras do homem-macaco era filho de um major do exército americano. Por causa disso, Edgar Rice Burroughs cresceu sonhando com glória e feitos militares. Foi reprovado na Academia Militar de West Point e serviu no famoso Sétimo Regimento de Cavalaria dos Estados Unidos, do general Custer. Ao sair do exército, para sobreviver, ofereceu-se para fazer conferências sobre viagens. Mais tarde ele escreveu sobre esta fase: “Se eu tivesse me acomodado, Tarzan nunca existiria. Às vezes, a melhor sorte que se pode ter é a má sorte”. Nos primeiros anos como escritor de aventuras, Burroughs imaginava uma história e a concluía em menos de dois meses. Antes, tinha passado por ocupações diferentes e fracassado em todas. Quando o segundo filho nasceu, teve de empenhar as jóias da esposa. O primeiro livro, produzido no escritório, depois do expediente, às escondidas, intitulou-se Sob a lua de Marte, foi publicado em capítulos na revista All Story Magazine, rendendo a “fortuna” de 400 dólares. Tentou um romance histórico intitulado O Proscrito de Torn, sumariamente rejeitado pelos editores. Sua nova idéia baseou-se no Livro do Jângal, de Kipling (que inspiraria Mowgly, o menino lobo) e The Darkest Africa, de Stanley. Juntou a esses elementos a lenda de Rômulo e Remo, que foram amamentados por uma loba e fundaram Roma. A história era simples: John Clayton (Lorde Greystoke) e a esposa foram abandonados pela tripulação de um navio num litoral da África em 1888. A esposa do lorde estava grávida vindo a falecer depois do nascimento da criança, um menino, e o marido, atacado por um feroz macaco gigante, também morreu. O menino foi amamentado por uma macaca, sobreviveu e foi adotado por uma tribo antropóide, ficando conhecido como Tarzan (pele-branca). Anos mais tarde, um professor americano e sua filha, chamada Jane, foram abandonados na selva por uma tripulação de piratas. Tarzan, a esta altura rei da tribo, salvou-os e participou de muitas aventuras com eles. Quando Jane volta para a civilização, Tarzan, apaixonado, a segue, porém renuncia ao amor depois que Jane o troca por outro. Burroughs experimenta poesia na sua obra, numa cena em que Tarzan, ainda menino, se debruça na margem de um lago juntamente com um macaco amigo e mirando-se na água compara sua “fenda minúscula à guisa de boca e os dentes brancos, insignificantes” com “os beiços grossos e presas poderosas” do primo ao seu lado.
25Abr2008 - 19:16 | ( 0 ) comentários
O GÊNIO DO FREVO Capiba, ou Lourenço da Fonseca Barbosa, nasceu a 28 de outubro de 1904 em Surubim, Pernambuco, e faleceu a 31 de dezembro de 1997 e Recife. Em 1912 fazia parte da Banda Lira da Borborema, que era regida pelo pai, Severino Athanásio. Formou diversas orquestras, entre elas, a Jazz Band Acadêmica, a mais famosa, em 1931. Formou-se em Direito em 1938 e foi funcionário do Banco do Brasil. Aos 14 anos compôs a Suite Nordestina para piano. Em 1970, com o lançamento do movimento Armorial por Ariano Suassuna, compôs Sem Lei nem Rei e em 1984 A Grande Missa Armorial. Escreveu dezenas de frevos que foram imortalizados em interpretação de Claudionor Germano: Oh Bela, Juventude Dourada, Madeira que cupim não rói, Casinha Pequenina, Morena da cor de canela. Além dos frevos, sua marca registrada, compôs dois grandes sucessos, Maria Bethânia e Serenata Suburbana. Sua última composição data de 1974. Os maiores nomes da música popular brasileira gravaram suas composições: Carlos Galhardo (que foi o primeiro a levar o frevo de Capiba para o Rio de Janeiro), Nelson Gonçalves, Mário Reis, Carmélia Alves, Ciro Monteiro, Odete Amaral e Aracy de Almeida. Com mais de 200 músicas no currículo, Capiba afirmava que nunca viveu da música, e sim na música. Aposentado do Banco do Brasil, atribuía a sua disciplina diária ao período em que trabalhou na instituição. Segundo SEVERIANO e MELLO (1998, p. 233) Maria Bethânia teria sido feita por encomenda de Hermógenes Viana, diretor do Teatro dos Bancários, a Capiba em 1943. Em 1945, ao passar por Recife, Nelson Gonçalves cantou-a no Rádio. Um lojista de Recife insistiu junto à RCA para que Nelson gravasse a canção, comprometendo-se a comprar pelo menos 200 discos. Contam ainda que um marinheiro americano embriagado tocou o disco Maria Bethânia dezenas de vezes ininterruptas, na eletrola do bar Gambrinus, localizado na zona portuária de Recife. Irritados, os freqüentadores do bar quebraram a eletrola, o disco e espancaram o marinheiro.
10Mar2008 - 19:11 | ( 0 ) comentários
O RADIOJORNALISMO ESPORTIVO
Nicolau Tuma começou no Rádio em 1930 por concurso para locutor na Rádio Educadora Paulista. Em 1932 tomou parte da Revolução Constitucionalista pela Rádio Record, de São Paulo, ao lado de César Ladeira. Foi vereador de São Paulo pela UDN em dois mandatos, 1947 e 1951. Foi deputado federal também pela UDN em 1958, 1962 e 1966. O Código Nacional de Trânsito, de 1966, é de sua autoria. Foi o primeiro narrador esportivo do rádio brasileiro. Geraldo José de Almeida, morreu de câncer na vesícula aos 58 anos de idade, no dia 16 de agosto de 1976, em São Paulo. Aos 17 anos de idade estreou como locutor esportivo, depois de ganhar um concurso para locutor comercial na Rádio Record, do qual tomaram parte mil candidatos. Criou as expressões lindo, lindo, lindo; que é que é isso, minha gente; mata no peito e baixa na terra; ponta de bota, seleção canarinho do Brasil, craque café (Pelé); garoto do Parque (Rivelino); mineirinho de ouro (Tostão).
10Mar2008 - 19:01 | ( 0 ) comentários
O BREGA ROMÂNTICO Jairo Severiano e Zuza Homem de Melo no livro A canção no tempo: 85 anos de música brasileira – 1901-1957 contam que o gênero “brega romântico” da atualidade teria nascido com os primeiros sucessos de Anísio Silva, em 1957, passando pelas músicas estilo dor-de-cotovelo de Antônio Maria interpretadas por Nora Ney. É um gênero filho direto do bolero de Gregório Barrios e das necessidades de se fazer entender pelas empregadas domésticas como em Interesseira, Alguém me disse e Devolva-me, por exemplo. Anísio Silva morreu aos 68 anos de idade, de ataque cardíaco, a 18 de fevereiro de 1989, no Rio de Janeiro. Nasceu na Bahia e na década de 40 iniciou a carreira artística nas Rádios do Rio de Janeiro, consolidando o estilo romântico de sucesso nas décadas seguintes. Em 11 anos de carreira gravou 37 discos. Foi o primeiro artista brasileiro a ganhar um disco de ouro em 1960, com a música Sonhando Contigo. 10Mar2008 - 18:46 | ( 0 ) comentários
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