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ERUDIÇÃO BURRA

 

 

Moacy Cirne

 

 

Nada mais irritante, no mundo da literatura, do que a erudição burra, a erudição pela erudição, pura e tolamente, sem qualquer relação com o saber e o fazer. E o que é um erudito burro? É o sujeito que muito lê, de forma quase compulsiva, e nada apreende, nada assimila, nada (re)cria, alimentando-se, muitas vezes, de reflexões (no melhor dos casos) e citações descontextualizadas.

 

É verdade que certos livros, certos textos, certos filmes, certos quadrinhos, levam inevitavelmente a conhecimentos inócuos ou mesmo a nenhuma espécie de consciência crítica e/ou criativa. São obras descartáveis, dignas, por exemplo, de um Big Bosta Brazil. Já outras, por melhores que sejam, quando atraem leitores preguiçosos, meros colecionadores de palavras vazias, implicam - sempre e sempre - simples leituras inertes (cf. Bachelard). E da leitura inerte à erudição burra o passo é muito pequeno.

 

Armazenar informação não significa necessariamente produzir cultura. Escrever difícil, isto é, hermeticamente, não significa escrever em profundidade. Ao contrário. Marx e Nietzsche, e outros, já nos disseram. Citar por citar também não quer dizer nada. A verdade é que, por mais que nos interessemos por filosofia, antropologia, história, política, psicanálise e/ou criação literária, honestamente ou não, a leitura de um só livro, dependendo do livro, dependendo do autor, pode ser mais importante do que o consumo (desvairado?) de 100 ou mais livros, mesmo que alguns deles sejam expressivos. Ou interessantes.

26Jun2009 - 10:19 | ( 0 )  O que você achou desse texto? 
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Cura  ausente

 

Livio Oliveira

 

Nada,
nenhuma solução havia,
a não ser o teu corpo quente.
E eu esperei,
remoendo as dores de amor,
sentindo o medo de só te perder,
assistindo a tuas luas resistentes.
Tua força vibrante,
contaminada por um outro sentido,
dominava o meu pensamento,
e eu mergulhava, inconsciente,
na falta de teus seios fartos.
Expus-me, contrariei
o lema de não me entregar,
de não me denunciar
à senhora do castelo.
Não consegui.

Tudo,
somente a completude
de teus beijos sôfregos,
de tuas ancas plenas,
cabelos revoltos,
me levaria de volta ao mundo
e tempo de viver
e que eu já havia esquecido.
Em meio aos devaneios tórridos,
aos suores,
ao sono inexistente,
repleto de imagens tuas,
tão pálida,
tão macia,
tão docemente vampira,
encontrei-te
tão longe de mim

 

1Jun2009 - 15:35 | ( 0 )  O que você achou desse texto? 
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