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Entrei no meu e-mail para verificar umas coisas, mas como sempre nunca faço o que tenho que fazer, faço o que me dá vontade. E a vontade de hoje foi sem querer. Li seus e-mails que ali estavam há anos guardados e intocáveis. Tinha me esquecido de suas palavras e do quão bem você me tratava. Tinha esquecido do quanto tudo era maravilhoso e de que nós sabíamos disso. Tinha esquecido de como são carinhosos os e-mails de começo de namoro. Eu tinha esquecido de várias coisas que hoje me voltou à memória, que colocou um sorriso no rosto e me fez chorar. Como eu já fui feliz! Meia nos pés, travesseiros, um filme qualquer na TV. O tempo nublado e um friozinho gostoso. Cara de domingo. Em boa companhia é só o que preciso. Hoje não tem música, nada nem ninguém. Hoje sou só eu e meus pensamentos que me atormentam. Eu e minhas vontades que me fazem ver tantas coisas. Coisas já esquecidas, coisas guardadas, enterradas, porém vivas. Vivas em algum lugar, onde não se sabe, nem se vê. Trechos do meu diário... É escutando Madeleine Peyroux que eu sempre tenho vontade de escrever. Acabei de sair do banho, o cabelo está molhado, e eu sozinha em casa coloquei Madeleine no ultimo volume e tomei banho de porta aberta. Agradável. A vida ta diferente do de sempre, e eu to gostando do diferente. [...] Ontem a noite assisti ‘sempre ao teu lado’, lindo, triste e eu chorei. [...] Eu to bem, como a muito tempo não estive, por isso não quero ir pra França agora, guardei esse plano pra mais tarde quem sabe! Hoje eu quero continuar aqui, trabalhando e gastando meu dinheiro com coisas inúteis que me fazem feliz. Saindo, bebendo, tirando foto fazendo careta e sendo eu, feliz, bem, sem pensar no passado e chorar. Hoje eu quero viver o hoje. E só. Uma coisa estranha. Uma vontade. Um medo.
[Esse jeito Rebeca de ser]. O ontem se foi, mas ficou em algum lugar. Ficou na minha pele a noite toda, e o cheiro só se foi hoje cedo quando eu tomei banho. Ficou nas mensagens no celular, que lá estão. Ficou nas bolhas que o sapato deixou no meu pé e que estão doendo. O ontem se foi... Mas ficou... Nas palavras bonitas que você me disse. Ficou na cama desarrumada que deixamos e que você tentou arrumar de ultima hora. Ficou na consciência de ter feito algo errado. Ficou na dor do outro que eu posso ter causado. Ficou em algum lugar aqui dentro, mas que quer ir embora, e que eu peço pra ficar. Hoje eu senti saudades. Saudades de verdade. Com direito a vontade de chorar. Com direito a dor no coração. Hoje eu senti saudades de dar bom dia ainda na cama, com remela nos olhos. Saudades de ter com quem brigar por ter molhado praticamente todo o banheiro sendo que apenas lavou as mãos. Saudades de um pé quentinho pra esquentar os meus que estão sempre tão frios. Saudades de um abraço sincero. Saudades de momentos tão bons mas que já se foram. Saudades de alguém. Saudades de mim. Há momentos em que estamos caminhando tranquilamente e chegamos a uma daquelas encruzilhadas e não sabemos para onde devemos ir. Depois não haverá volta. Certas decisões nos afetam para sempre. Nós crescemos, amadurecemos, e nos damos conta que sonhos são apenas sonhos, e que são completamente diferente da realidade.
[...] Eu me lembro da cor que o céu ficava quando se olhava através da janela colorida do banheiro. Eu me lembro do frio que fazia a qualquer época do ano lá na rodoviária. Eu me lembro da imagem pink que tinha a televisão velha. Eu me lembro do nosso primeiro beijo com gosto de cerveja. Eu me lembro das tardes maravilhosas no apartamento. Eu me lembro de um dia você ter me ensinado como que se unta forma direito. Eu me lembro de como nosso ninho era quentinho e gostoso. Eu me lembro de sempre acordar de madrugada com a televisão ligada. Eu me lembro de como você cortava toda a salada do prato antes de comer. Eu me lembro de como não podíamos ficar 5 minutos sozinhos que coisas aconteciam. Eu me lembro quando eu arrumei suas camisetas na cômoda por cor. Eu me lembro do quanto eu fui feliz. Eu me lembro da época em que eu sonhava. E eu me lembro do quanto eu chorei quando me dei conta que nada disso poderia se realizar. Saudade de cada detalhe, de cada pinta espalhada pelo seu corpo, de cada fio do seu cabelo caído no chão do meu banheiro.
[...] Foi tudo um filme, ou melhor, foi só um filme. tudo bem que foi o melhor filme da minha vida. O mais lindo e o mais triste. Nunca fui tão feliz. Nunca chorei tanto. Nunca quis morrer com tanta vontade. Nunca pedi para Deus me tirar daqui com tanta sinceridade. O filme acabou, a luz apagou e nesse filme nada de letrinhas passando na tela preta.
Sem direito a replay.
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Eu... Rebeca. 22 anos. Signo de peixes. Baixinha, brava, companheira, sincera, muleca, sonhadora, determinada e mais o que eu tiver afim...
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