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Por enquanto - ou não - o blog está no fim !
Obrigada por tudo!
Bjus,
Dayane Marins.
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Quando o ano acaba, vem uma sensação de alívio. Ufa, mais uma etapa foi cumprida! Mas bate a ansiedade do que está por vir. O que me espera? Pesa-se o que deu e o que não deu certo. Lembra-se do que ainda não se conquistou... É fato. Embora cada dia seja precioso, é nessa virada que refletimos melhor sobre o sentido da vida – quando nos propomos à quebra da rotina, à pausa no trabalho, à viagem para ver família e amigos, ao descanso. Também vem à tona a sensação de finitude. “Cada ano é um a menos de vida e um a mais vivido. Isso nos remete a todas as nossas metas e ao limite da existência”, diz o psicólogo Carlos Alberto de Oliveira Carvalho. No dia da virada, porém, o peso dos planos que saíram meio tortos – ou nem saíram – e das situações chatas é sublimado pelas boas expectativas. Já dizia o poeta Mário Quintana: “Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano / Vive uma louca chamada Esperança”. À meia-noite de 31 de dezembro, o mundo é tomado por beijos e abraços. Deseja-se felicidade, paz e saúde. Como se controlássemos a vida, pensamos que tudo vai dar certo. E esquecemos que os “erros” fazem parte do enredo de 365 dias – um após o outro. Grande engano. “Quando planejamos algo, devemos estar receptivos aos sinais da sincronicidade, prestando atenção no que sentimos e no que acontece ao nosso redor para conseguirmos identificar as oportunidades que surgem”, lembra a psicóloga Regina Nanô. Trocando em miúdos, é preciso deixar-se embalar pela vida, adequando-se ao seu ritmo, a cada instante. Porque as surpresas vêm. E se você (ainda) não sabe, a vida é feita delas.
Buscando novos sentidos Quando a vida toma um novo – e inesperado – rumo, temos duas opções: bater com a cabeça na parede e perguntar “por que comigo?” ou encarar a situação de frente e dar sentido a ela. Ninguém está livre do perrengue. Quando tudo são flores, férias e festas, a vida chega de mansinho e... zupt!, puxa seu tapete. Foi mais ou menos o que aconteceu com um amigo publicitário carioca. Depois de um período de férias, ele voltou para trabalhar em outubro e, para sua surpresa, foi demitido no primeiro dia de volta. “Levei um susto, passei dois dias baqueado. Mas quando percebi que isso era fruto da minha insatisfação, relaxei e comecei a me preocupar com o que vinha sonhando nos últimos meses ou, talvez, anos”, conta Ricardo. Em vez de sair por aí procurando outro emprego, inscreveu-se nos cursos de roteiro, poesia e fotografia que sempre quis fazer e começou a escrever um romance. “Cada situação pede para que se pense no que é preciso mudar em si para atender à demanda externa. É como se regenerar”, diz Regina. Ricardo tem a vantagem de conseguir se sustentar até o começo do ano sem salário fixo: além de morar só, tem bens materiais e a família por perto. Mas isso tudo, somado à vontade de remanejar a vida profissional, falou mais alto que o senso comum do “fracasso” por estar desempregado.
Essa ideia de superação, aliás, é belamente descrita no recente filme italiano Caos Calmo (de Antonello Grimaldi), em que o protagonista Piero (Nanni Moretti), depois da morte da esposa, decide passar as manhãs na praça em frente à escola da filha de 10 anos até sua saída. Sua postura e a da menina são questionadas pela cunhada e o irmão, que não os veem soltar uma lágrima sequer durante o luto. Diariamente, Piero pede que a filha acene da janela da sala de aula, enquanto ele interage com vizinhos e frequentadores da praça. Despreocupado com o trabalho, faz os colegas saírem do escritório para irem ao seu encontro. Quando fica claro que o pior já passou, a filha explica que a situação (de ter o pai no portão da escola o dia inteiro) se tornava embaraçosa entre os amiguinhos. A singela conversa revela o quanto a dor de ambos foi abrandada pelo “acordo” que mantiveram. Segundo o psiquiatra austríaco Viktor Frankl, autor do best-seller Sentido para Vida, alguém que tenha um “porque” pode conviver com qualquer “o que” e qualquer “como”. Piero não só encontrou seu “porque” (a filha), como seu “o que” (a praça) e seu “como” (as novas amizades) para lidar com a própria dor. Como no caso dele, todos temos que encontrar a boia na qual nos apoiar para não perdermos o rumo – ou corremos o risco de nos afogarmos.
Futuro distante Quando não nos prendemos ao passado, insistimos em projetar felicidade, bemestar e conquistas profissionais a um futuro beeem distante. E o chavão “ano novo, vida nova” deixa a desejar, já que a vida está sempre aquém do que se quer. Não agimos assim à toa. Desde bebês, somos constantemente influenciados por um rol de convicções sociais e perspectivas lançadas por pais, amigos, colegas da escola, faculdade e trabalho. Claro que não é fácil romper com esses valores e crenças. Mas avaliar o que motiva de fato a celebração de um novo ano pode ser um meio de dar um baile na mesmice perigosa que ronda nossas vidas. “Todo recomeço exige um olhar interno para o que quero e acredito, o que gero dentro e fora de mim e quem decide sobre minha vida”, diz Regina. Para a funcionária pública Valmira Alice Cardoso, de 58 anos, do amanhã não se sabe nada. “Só tenho a certeza de que uma força me faz superar qualquer dificuldade. E aprendi que sou a única responsável pela minha felicidade.” Criada nos idos de 1950 em Uauá, no sertão baiano, em uma família de 13 filhos – e numa época em que levava os estudos na base da decoreba e da palmatória –, Alice mudou-se para Salvador aos 22 anos. Passou por dificuldades, foi recepcionista e escriturária, formou-se em Geografia e prestou concurso público em busca de estabilidade. Hoje tem seu próprio apartamento e, sempre que pode, viaja pelo mundo. “Em toda minha vida, tive o sonho de ser livre, de não me submeter aos caprichos e desejos de ninguém”, diz.
Enxergar as próprias metas não significa necessariamente entrar num embate social, mas ter ética humana. No livro O Sentido da Vida, Dalai Lama afirma que a existência é impulsionada pela ação ética, o que inclui o respeito a si e ao outro e o entendimento da relação entre ação e efeito. Custou para que a paulistana Paula Andrea Stäger, de 31 anos, entendesse que o que buscava não estava nem em um futuro distante, nem nos anseios da família. A cada novo emprego em São Paulo, ficava mais triste. “Até que mamãe me viu chorar e disse: ‘Vá em frente’”, conta Paula. Em busca da cidade ideal, traçou quatro rotas no mapa do Brasil, pesquisou sobre condições climáticas, qualidade de vida e oferta de emprego e rumou ao Nordeste e Norte. Em dois meses, fixou-se em Manaus. A busca pela renovação foi tão presente que as dificuldades viraram ferramentas para seguir em frente. Até se firmar na área de arquitetura, Paula morou em albergue e fez pulseiras artesanais para sobreviver. “Minha produção foi tão farta que paguei aluguel e comprei um notebook”, diz. Em dois anos, cursou pós-graduação, foi contratada como engenheira de segurança do trabalho, comprou um apartamento e visita a família duas vezes ao ano. E vive muito mais feliz.
Nós, mutantes A história de Paula mostra que a vida está onde pulsa. E nem sempre esse pulsar está onde prevíamos ou imaginávamos. Resultados no trabalho, planos do casamento, roteiros de viagens... Tudo se transforma ao mesmo tempo que nós, humanos. Uma amiga disse: “Aceite o fluxo. Hoje você pode ser rio, amanhã fundir-se ao mar e, depois, virar chuva”. É bem por aí. Ninguém se dá conta do que é e de como é até que passe pela situação. E somos testados em cada (aparente) vão momento. Cabe a nós percebermos e abraçarmos as oportunidades que aparecem – mesmo que muitas vezes elas estejam fora daquele esquema que programamos. “É no agora que recebemos inspiração e é vivendo neste exato momento, plenos de atenção, que abrimos a porta para começar uma vida nova”, afirma a psicóloga Regina. Não quer dizer que precisemos abandonar planos e dar respostas imediatas às propostas que surgem. Mas, sim, que é preciso pensar no que se quer de verdade, sentir-se mobilizado por isso e aceitar o que está por vir, seja ele bom ou ruim. “O que nos causa sofrimento é nos enrijecermos com a ideia de que ‘tem que ser assim’ quando, na verdade, há uma razão para que seja de outra maneira”, diz a monja Coen Sensei, da Comunidade Zen Budista de São Paulo.
O ser humano é movido pelo dinamismo. “O que o diferencia dos outros seres é sua capacidade de ser consciente de si, do outro, da vida”, diz o psicólogo Carvalho. Para o psicoterapeuta e escritor Flávio Gikovate, evitar mudanças por não suportar períodos de dúvida e incerteza é ficar fadado ao atraso. “Em qualquer idade, (essas pessoas) farão parte do grupo dos que se tornaram velhos – conservadores, cristalizados em suas crenças”, afirma. O maior desafio é envelhecer fisicamente ao mesmo tempo em que se renova. Quando Sônia de Andrade Pereira tinha 9 anos de idade, seu pai perguntou o que faria na velhice. Ela disse: um jardim. Aos 68 anos, mora em uma casa de vidro na região da Serra da Bocaina, em Parati (RJ). “A casa é consequência daquele jardim. Costumo dizer que ela é como eu, aberta”, conta Sônia. Em meio às flores e aos sons de um riacho próximo, Sônia entendese em contínua transformação, curtindo cada plantinha e preguinho que coloca na casa. “A vida segue seu curso, indiferente em relação ao que você quer ou deixa de querer. Ela não se modifica em função da pessoa – somos nós que temos que nos modificar em função das circunstâncias”, diz.
Saber compartilhar Nem todo mundo tem o jardim de Sônia para devanear. Ao contrário, compreenderse humano e finito quando se está mergulhado no dia a dia é um desafio. No entanto, perder-se na multidão implica perder a si mesmo – e o sentido de viver. Por sorte, a convivência das festas de Ano Novo incita essa percepção. “Por meio do encontro, nós nos reconhecemos vivos uns nos outros”, diz Carvalho. Para o psicólogo, o segredo está em ver a si e ao outro como parte de algo maior. “É perceber o ser humano como um agente transformador, um elo que ajuda a sustentar o todo”, explica. Não se trata de assumir uma causa por amigos e conhecidos, mas de estar disponível para dedicar-se a pessoas ou lugares com os quais não se tem um relacionamento íntimo. Doar-se, mas sem perder o senso crítico. O vigia Severino Martins Pereira, de 36 anos, é um exemplo. Tornou-se jardineiro oficial da rua Aimberê, onde trabalha, no bairro paulistano de Sumaré, porque transformou as calçadas da quadra onde trabalha em uma minipraça. Começou quando decidiu plantar mudas no canteiro em frente à cabine para que os cães parassem de fazer cocô na calçada. Os vizinhos gostaram tanto dos jardins que começaram a levar plantas para Severino cuidar. “Acabei arrumando os canteiros de toda a calçada. Além de tornar meu trabalho mais prazeroso, fiz amigos e consegui serviços extras, cuidando do quintal dos vizinhos”, conta o vigia. Já a jornalista Ligia Terezinha Pezzuto, de 47 anos, tornou-se voluntária de uma igreja paulista ao sentir que os devotos desabafavam com ela quando a encontravam. “No Serviço de Escuta da igreja, simplesmente ouço os desabafos para ajudar as pessoas a se livrar de uma carga emocional e ter mais clareza do que estão vivenciando”, conta Lígia, que se dedica ao voluntariado há cinco anos. Cada um de nós pode contribuir para o bem-estar do aqui e agora. Se a vida surpreende, nós podemos nos surpreender ainda mais com o que somos capazes de fazer para vivê-la bem. A partir de agora.
LIVROS Nós, Humanos, Flávio Gikovate, MG Editores O Sentido da Vida, Dalai Lama, Martins Fontes
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Do site http://www.minhavida.com.br/conteudo/10065-Truques-basicos-ajudam-os-iniciantes-na-cozinha.htm
Para quem acha que não tem habilidade na cozinha, aqui vai dicas.
O livro, A Bíblia do Cozinheiro, vem dando os mínimos detalhes da cozinha, como os nomes dos talheres, panelas, legumes, verduras, etc.
Cozinhar também é uma terapia. Se não sair tudo certinho, não se preocupe e não desista.
Muita gente tem talento de sobra na cozinha e é só colocar a mão que sai tudo com gosto bom desde o trivial aos pratos mais requintados. Mas tem outra turma que pena em frente ao fogão. Até o ovo frito pode virar um fiasco e tem até quem passe fome em razão das tentativas frustradas.
Os iniciantes penam, mas um pouco de prática (e muitos truques) evitam a batata frita molenga, o bife solado e o arroz papa. "Algumas dicas simples ajudam a deixar o cardápio do dia a dia com sabor especial. Basta ficar de olho nos detalhes para deixar as refeições mais saborosas. E tudo isso, sem perder a simplicidade da receita e do preparo", explica a personal Chef Luiza Secron. Ela ensina o segredos de sucesso de sete comidinhas que são clássicos nas mesas dos brasileiros.
Batata frita crocante
Sequinha e quentinha, a batata frita é um dos acompanhamentos mais queridos dos paladares. O problema é quando ela fica toda mole e encharcada de óleo. "Para conseguir uma batata frita crocante, antes de fritar descasque as batatas e, em seguida, as coloque de molho em água bem gelada", explica Luiza. "Além disso, é preciso que o óleo fique bem quente para fritar, caso contrário o resultado será um batata murcha", diz.
Ovo frito
Com a gema dura ou gema mole, ovo bom é aquele que não fica despedaçado no prato. "Para a gema ficar inteira, é preciso tomar cuidado na hora de quebrar o ovo". Minha dica é usar uma colher para bater na casca devagar em vez de tentar quebrá-lo na quina da mesa ou na borda da panela, por exemplo. "Recomendo que seja usado pouco óleo. Para evitar que grude na panela, a melhor opção é uma frigideira antiaderente", explica a chef. "Outro ponto é não mexer o ovo na panela, porque isso vai destruí-lo."
Arroz soltinho
Arroz papa ou do tipo "unidos venceremos" bota qualquer cardápio em risco. São pequenos detalhes que deixam seu arroz soltinho e delicioso. "O primeiro passo é lavar bem o arroz e deixá-lo escorrendo até que saia todo o excesso de água. Depois basta adicioná-lo no óleo quente e deixar que ele frite bem (em média por cinco minutos)", afirma a especialista. Para acertar na quantidade de água do cozimento, basta prestar atenção na medida. Para cada xícara de arroz, devemos adicionar duas de água.
Bife suculento
Os cuidados para deixar o bife saboroso começar antes mesmo de a panela ir para o fogo. Se o bife estiver congelado, aguarde ele descongelar por completo, caso contrário, o resultado será desastroso. Quando for temperar é essencial amaciar a carne. Para isso, invista nos temperos amaciantes, deixar de molho no suco de laranja ou limão ou até mesmo dar umas batidinhas com o velho e bom batedor de carne. "Coloque pouco óleo e deixe bem quente antes de adicionar o bife na panela", diz a especialista. "Logo que for ao fogo, sele o bife, virando a carne dos dois lados. Isso ajuda a diminuir a quantidade de água que ele solta e, consequentemente, deixa a carne mais suculenta".
Feijão no ponto
Evite adicionar um bocado de tempero, de diferentes tipos, para não mascarar o gosto do feijão. "Um pouco de alho, louro e bacon já são suficientes para garantir que o prato fique saboroso", ensina Luiza. Já quando o assunto é a quantidade de água, vale a mesma dica do arroz: para cada xícara de feijão, devemos colocar duas de água. O tempo do alimento na panela de pressão, depende do tipo de feijão e se ele fica de molho antes do cozimento, mas é de, em média, quarenta minutos . Em caso de dúvida, vale tirar a pressão da panela e verificar como está o preparo.
Hambúrguer com sabor
Não é preciso adicionar óleo na hora de fritar o hambúrguer. Isso só vai deixá-lo mais gorduroso. O ideal é virá-lo de lado algumas vezes e deixar o fogo sempre baixo. "Para ficar ainda mais saboroso, podemos usar a criatividade e adicionar temperos e ervas, como salsinha e alecrim", diz a personal chef.
Macarrão no ponto
O primeiro passo na hora de preparar o macarrão al dente é abusar da água e adicionar uma pequena quantidade de óleo, sal e azeite na panela. "Depois, é necessário esperar que a água fique bem quente, de preferência fervendo, para adicionar o macarrão". Agora, para não deixar o macarrão grudado é preciso prestar atenção no relógio. "Minha dica é seguir o tempo de preparo e depois de alguns minutos que o macarrão estiver em água fervente, provar. Podemos tirar uma pequena quantidade e verificar se já não está na hora de tirar. Já que ele não pode cozinhar de mais, para não virar um bolo de macarrão", diz a personal chef, Luiza.
Livros:
A Bíblia do Cozinheiro - Lorraine Turner
Revolução na Cozinha - Jamie Oliver
Sites:
http://iniciantenacozinha.com
http://www.homemnacozinha.com
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Da Revista: Vida Simples - Abril
Costumo dizer aos meus amigos o seguinte: "Posso passar fome, posso passar frio, mas não me façam perder uma noite de sono". Sou daqueles que dormem pesado, às vezes mais de oito horas, e se tem uma coisa que detesto é ver meu descanso podado pelos imprevistos da vida. Lembro de uma longínqua semana de provas do colégio, quando varei 40 horas sem dormir. A sensação era de que havia um caminhão de areia nos olhos, o corpo ficou todo dolorido e o mau humor foi terrível. Uma tortura.
Ser privado de sono pode virar uma tortura, literalmente, e das mais eficientes. O psicólogo americano Stanley Coren conta no livro Ladrões de Sono (Cultura Editores) o caso de dois prisioneiros de uma ditadura latino-americana. Eles foram submetidos ao plantón, o que significava ser forçado a ficar em pé sem poder dormir. Se saíssem da posição, eram espancados pelos torturadores. Como não queriam apanhar, os dois prisioneiros passaram dias em pé, dias que lhes pareceram a eternidade.
Com o tempo, começaram a ter alucinações, choravam desesperados e, por fim, um deles dormiu (para sempre, diga-se).
Na era da informação e dos estabele-cimentos 24 horas, ficou difícil entender como a cessação de atividades que acontece enquanto dormimos pode ser tão vital. Muita gente, se pudesse, aboliria a necessidade de passar um terço da vida debaixo das cobertas, julgando ser uma inconveniente perda de tempo. Mas querer ganhar tempo reduzindo as horas de sono é um tiro que sairá mais tarde pela culatra: quem dorme mal vive pior e morre mais cedo.
Mesmo que a ciência e o bom senso saibam da importância fundamental do sono, custamos a lhe dar o devido crédito. O genial inventor americano Thomas Alva Edison, o homem das 1 300 invenções, entre elas o fonógrafo, o projetor de cinema e a lâmpada elétrica - o mais célebre de seus engenhos e grande responsável pelo turno ininterrupto de atividades da nossa sociedade - dizia que dormir oito horas por noite seria um despropósito. Ele próprio não passava mais do que cinco horas na cama.
É verdade que existe gente vivendo muito bem com poucas horas de sono, e Edison provavelmente pertencia a essa classe de pessoas, apesar de ter sido flagrado várias vezes cochilando durante o dia. Para a maioria, porém, a medida ainda fica nas tradicionais oito horas. Neste terço misterioso da vida, nosso cérebro repassa e organiza as experiências do dia, fixa as memórias de longo prazo, dá vazão aos sonhos, descansa o corpo e explora zonas de consciência ainda pouco conhecidas, mas indispensáveis para nossa sanidade física, mental e espiritual.
O que nos acontece enquanto dormimos é um enigma. Ramana Maharshi (1879-1950), um dos maiores mestres espirituais da era moderna, deu algumas pistas. Segundo ele, o estado de beatitude transcendental alcançada por um iogue em meditação se assemelharia em muito à fase do sono profundo vivenciada por todos nós. A diferença entre a gente e o iogue estaria num detalhe: o homem santo está desperto e traz a realidade da suprema paz à mente consciente.
Para o austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), fundador da antroposofia, o sono esconde algo de fantástico. No livro Ciência Oculta (Editora Antroposófica), ele diz que uma parte de nosso ser, chamada por ele de corpo astral, se desprende do físico para "voltar à sua pátria, trazendo consigo forças revigoradas para a vida".
Podem parecer bastante improváveis à mente cartesiana essas histórias de corpo astral e beatitude suprema, mas o fato é que todos nós sabemos que o país do sono é pródigo em eventos extremamente instigantes, os nossos sonhos. Uma conversa com o psicoterapeuta Waldemar Magaldi Filho dá bem a medida da coisa. "Entre outras coisas, nosso sono é importante porque é ali que surgem os sonhos, uma produção independente e livre que emana do nosso contexto inconsciente."
Para falar das mensagens do inconsciente, Waldemar, que é coordenador da pós-graduação em psicologia junguiana da Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo, faz um paralelo. "Comparo a função dos sonhos com a dos rins. Se os rins filtram o sangue, os sonhos fazem a mesma coisa com a psique, com nossa alma, filtrando e rearranjando as emoções vividas durante o dia." Waldemar acredita que os sonhos de que a gente se lembra, seriam pistas, guias que apontam as questões interiores mais importantes para nós naquele momento.
Um bom jeito de se descobrir mais sobre o sono é visitar uma pequena saleta acomodada no oitavo andar do Instituto do Coração, de São Paulo, onde o pneumologista Geraldo Lorenzi Filho dirige o Laboratório do Sono. Lá os pacientes são analisados ao longo da noite, dormindo, com o corpo cheio de eletrodos que captam a atividade cerebral, o movimento dos olhos e o tônus muscular num exame chamado polissonografia. Foi por meio dele que descobrimos as fases do sono, que são cinco, como me explica Geraldo.
A primeira é de transição, quando estamos no estado entre o sono e a vigília, o estágio das ondas alfa. Daí vem a fase teta, já dormindo, quando as ondas cerebrais começam a diminuir a freqüência e alargar sua amplitude. Em seguida, temos as fases três e quatro, bem parecidas, de ondas grandes e lentas, chamadas ondas delta, indicativas do sono profundo, e também da meditação lúcida dos iogues.
Privar-se de sono é ruim Até 1953, a história parava por aí, só quatro eram as fases do sono conhecidas. Há exatos 50 anos, porém, cientistas da Universidade de Chicago classificaram pela primeira vez uma fase muito curiosa do sono, tão curiosa que foi chamada de "sono paradoxal", pois ali as ondas cerebrais voltavam a se agitar como se a pessoa estivesse desperta. Mas não está, tanto que nessa fase ocorrem sonhos, enquanto os olhos da pessoa, sob as pálpebras, se agitavam rapidamente. Os movimentos rápidos dos olhos, ou rapid eye movements, em inglês, deram o nome pelo qual tal fase do sonho é mais conhecida: REM (isso mesmo, o nome daquela banda de rock). Depois da fase REM, se o sujeito não acordar, ele repete todo o ciclo pulando apenas a primeira fase de transição. Como uma rodada completa de fases dura em torno de 90 minutos, temos quatro a cinco ciclos completos durante a noite.
Cada uma dessas fases tem papel e importância cruciais. Se no sono de ondas delta descansamos profundamente - e talvez parte de nossos seres passeie por outras esferas, como afirmam muitos estudiosos -, na fase REM produzimos sonhos, repassando e fixando as experiências vividas durante o dia. Privarmo-nos deliberadamente dos ciclos de sono necessários é um equívoco: ficamos sonolentos durante o dia, rendemos pouco no trabalho, o risco de acidentes de carro aumenta, a capacidade imunológica cai, a pressão arterial sobe, nosso corpo, enfim, reage como se estivéssemos sob severo estresse. Daí ficamos deprimidos, irritadiços e infelizes.
Os tormentos noturnos Muitas pessoas até gostariam de dormir mais e melhor, mas são vítimas dos chamados distúrbios do sono. Há 84 deles catalogados até agora, como o bruxismo, aquele ranger involuntrário dos dentes, ou a narcolepsia, uma sonolência excessiva e incapacitante. Dois deles, contudo, vitimam muito mais gente: a insônia e a apnéia obstrutiva do sono. A maioria de nós conhece os terrores da insônia. Calcula-se que 70% dos indivíduos já teve esse problema em algum momento da vida. Para entender a apnéia, veja este caso do cardiologista Maurício Rocha e Silva.
Sofrendo com problemas de roncos, um dia ele foi avisado pela mulher de que parava de respirar enquanto dormia. Um teste no Laboratório do Sono do Incor apontou um quadro gravíssimo de apnéia, suspensão momentânea da respiração, causada pelo relaxamento das paredes da faringe. E quem tem apnéia não percebe a parada respiratória. Depois que a garganta se fecha, a pessoa ronca mais alto e desobstrui o canal respiratório. Essa manobra causa um despertar inconsciente, mas real. A polissonografia mostrou que Maurício despertava, sem saber, a cada minuto e meio, ou seja, centenas de vezes durante a noite. "Meu dia era um inferno", diz ele. "Vivia com sono, dormia em cinema, palestras, todo lugar."
Maurício passou a dormir com uma máscara ligada ao nariz, que injeta ar e impede que a garganta se feche. A máscara resolve também os roncos. "Hoje durmo seis horas e não tenho sonolência durante o dia." A cura da insônia é mais difícil, principalmente nos casos crônicos, e envolve trabalho em várias frentes, inclusive na mais elementar: disciplina.
Um bom exemplo é o caso de E. F. C., aposentada de 67 anos, que procurou o Laboratório do Sono de Porto Alegre, dirigido pelo doutor Denis Martinez. Essa mulher se queixava de dormir poucas horas por noite, mesmo tomando tranqüilizantes e hipnógenos (um sonífero, que apaga mesmo, mas que não dá um repouso de qualidade). O doutor Denis então pediu que ela fosse deixando os remédios aos poucos e a fez acordar mais cedo, às 6 da manhã. O problema era que, depois de horas rolando na cama, a mulher acordava tarde, daí repetindo a falta de sono na noite seguinte. Quatro meses depois, os remédios já haviam sido dispensados e nossa aposentada conseguia dormir seis horas por noite, graças aos horários fixos.
Para se conseguir dormir mais e melhor, uma série de ações podem ser postas em prática. A primeira delas é simples: consciência da importância do sono, respeito às horas de descanso. É muito comum as pessoas lotarem suas agendas com compromissos e é o sono quem cede espaço para acomodar todas as obrigações. Se temos de passear com o cachorro, acordamos mais cedo. Se resolvemos fazer academia à noite ou cair na balada, será o sono, de novo, o sacrificado.
Como explica César Deveza, especialista em medicina ayurvêdica, vivemos numa época de descompensação do elemento ar, que estaria ligado ao pensamento e ao movimento. Diz ele: "Corremos muito, pensamos muito, trabalhamos muito e à noite não conseguimos desacelerar". Em sua clínica, César ensina os pacientes a pôr o pé no freio. Com eles, trabalha técnicas de relaxamento, respiração e yoga e ensina-os a esvaziar a mente de tanta informação descartável.
Porque desde a lâmpada de Edison, focamos nossa atenção para o que se iluminou do lado de fora e achamos que dormir é perda de tempo. Apagando as luzes, talvez comecemos a redescobrir o santo remédio que é se enfiar debaixo das cobertas e entregar-se ao prazer de viajar por mundos desconhecidos.
Para dormir com os anjos Como levar você mesmo pra cama
O velho conselho continua valendo: procure ter horários fixos para deitar e acordar. Manter os horários ajuda o organismo a se regular e a aproveitar melhor o descanso.
Oito horas de sono são suficientes para quase todo mundo, mas a medida correta vem da experiência pessoal. O que importa é acordar bem, sem sonolência, no dia seguinte.
No quarto, elimine barulhos, verifique se não há frestas de luz e mantenha a temperatura agradável e constante.
Colchão e travesseiro não devem ser muito duros, mas devem ter alguma resistência para que você não afunde na cama.
Evite a cafeína, principalmente durante a noite. Cortar as fontes dessa substância (café, alguns chás, chocolate e refrigerantes) pode significar a cura de casos simples de insônia.
Manter a forma física ajuda a ter um bom sono. Mas evite se exercitar no período noturno, porque a agitação proveniente do esforço físico pode atrapalhar.
Faça a higiene do sono, limpe sua mente nas horas que antecedem o repouso. Nada de TV, internet e games no quarto.
Vá deitar somente quando sentir sono. Ficar rolando na cama não ajuda em nada e pode trazer ansiedade.
Meditação, yoga, alimentação saudável, relaxamento, massagem, auto-hipnose - qualquer atividade que lhe traga qualidade de vida também o ajudará a dormir melhor. A insônia está muito relacionada a ansiedade, depressão e momentos de transição em nossas vidas. Por isso, fazer terapia e buscar o autoconhecimento pode ajudá-lo a dormir em paz.
As crianças costumam ter um ritual para dormir: pegam o ursinho, pedem que contem uma história, etc. No caso dos adultos, o ursinho pode ser dispensado, mas um bom banho, leite morno, música suave... Repetindo as mesmas coisas toda noite, você pegará no sono mais facilmente.
Uma refeição pesada antes de dormir só atrapalha. Mesmo se alimentando de maneira leve e saudável, procure comer algumas horas antes de ir pra cama.
Não confie em hipnógenos e tranqüilizantes, principalmente se não tiver a orientação de um médico especialista em sono. Você pode melhorar circunstancialmente os sintomas da insônia, mas talvez mascare a verdadeira causa do problema.
Faça um "diário do sono". Anote a hora em que foi dormir e a hora em que acordou. Assim você saberá a quantas anda sua rotina, se está dormindo pouco ou se uma soneca à tarde está lhe roubando parte do repouso noturno.
Se dormir com alguém, note se a pessoa não está lhe prejudicando o descanso. Talvez ela leia na cama até tarde com a luz acesa, talvez o ronco dela lhe acorde à noite.
Anote as mensagens do inconsciente para se conhecer melhor. Os sonhos muitas vezes trazem a chave de compreensão para os problemas da vida - inclusive aqueles que lhe tiram o sono.
Como desligar os motores Este exercício, proposto pelo dr. Luiz Carlos Motta Lima, da Sociedade Brasileira de Hipnose e Hipniatria, pode ser útil para quem tem problemas de "desligamento dos motores" - aquele estado miserável em que o corpo pede uma pausa urgente, mas a mente não quer saber de parar.
Deite-se na posição mais confortável para você e feche os olhos. Visualize uma luz no alto de sua cabeça, da cor que quiser imaginar, poderosa e relaxante, que vai descendo para dentro de sua cabeça e depois para o pescoço, tórax, pulmões e coração. Com as pulsações do coração, essa luz maravilhosa se espalha por todo seu corpo e, onde ela passa, transforma, relaxa, renova todo seu corpo, da cabeça até aos pés.
Agora a luz o envolve num lindo halo, que funciona como filtro, deixando passar somente emoções positivas para dentro de você, muito amor, carinho, tranqüilidade, paz e segurança. Ao mesmo tempo, elimina de seu corpo e mente o que atrapalha, enviando tudo para uma nuvem branca num céu azul, nuvem que vai ficando escura, e mais escura, conforme recebe o que lhe perturba.
Depois você pode soprar essa nuvem negra com força. Ela então se desfaz, levando todos os seus problemas e preocupações, deixando restar um céu azul, criando sensações de muito alívio e sossego. Seus olhos estão pesados, muito pesados, e agora você pode dormir tranqüilamente. Crie imagens mentais onde você se vê muito relaxado, tranqüilo, dormindo, aproveitando bem e completamente seu período de descanso. Você se livrou de todos os problemas e agora pode dormir em paz.
Se isso funciona? Bem, fiz um curso rápido de hipnose com o doutor Luiz Carlos Motta Lima e, ao final, na hora de ver se tínhamos aprendido alguma coisa, cheguei a pôr um dos outros participantes roncando. Para mais informações sobre esse assunto, sugiro uma visita ao site: www.hipno.com.br.
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Uma Saída De Mestre: R$ 12,90 (Cada Unidade) Na Saraiva.
Naufrago: R$ 12,90 (Cada Unidade) Na Saraiva.
Vanilla Sky: R$ 12,90 (Cada Unidade) Na Saraiva.
Elas
Livros:
A Cabana: R$ 18,60 (Cada Unidade) Na Saraiva.
Melancia: R$ 20,00 (Cada Unidade) Na Avon.
Marley E Eu: R$ 14,80 (Cada Unidade) Na Saraiva
DVD:
Cidade Dos Anjos: R$ 12,90 (Cada Unidade) Na Saraiva.
Chicago: R$ 12,90 (Cada Unidade) Na Saraiva.
O Fabuloso Destino Amelie Poulain: R$ 12,90 (Cada Unidade) Na Saraiva.
Sites:
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