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Não podia deixar de agradecer publicamente ao senhor Primeiro Ministro, ao senhor Ministro da Administração Interna, e muito especialmente ao senhor Director Regional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Faro.
Aos primeiros dois, pela criação de coimas para os imigrantes ilegais. “Medida muito louvável.” Ao último quero agradecer pelo não-perdão de nenhuma das duas coimas a que minha esposa foi condenada:
1) 250€ por permanecer ilegal em território português para além do período de 180 dias;
2) 200€ por não ter participado ao SEF o seu casamento com um cidadão português dentro do prazo de 90 dias.
Graças a essa compreensão, tão manifestamente humana, o senhor director criou-me a possibilidade de poder aumentar ainda mais minhas dívidas, que se tivesse que liquidá-las já precisaria de seis meses do meu salário.
É importante lembrar o seguinte: minha esposa ainda teve a sorte de casar com um cidadão português, o que permite que possamos pedir um empréstimo. Imaginem aqueles imigrantes que não tem a quem recorrer… estão condenados a continuar ilegais.
Estes três ilustres personagens deveriam ter que viver com rendimentos mensais de apenas 500€ e pagar ainda de hipoteca da habitação 250€. Para ver se conseguiam sobreviver com o restante, para que pudessem realmente entender porque muitas pessoas não conseguem cumprir prazos de pagamentos, sendo por isso ainda penalizados com juros e coimas.
Com a ajuda desses senhores e para que minha esposa possa viver com alguma dignidade terei que pagar o equivalente ao meu salário mensal, ficando mais uma vez condenado a continuar a poder comer apenas uma refeição diária e a poder lanchar pão com manteiga e, para variar, manteiga com pão. Terei também que adiar a compra de um colchão novo e continuar a dormir num que tem mais de 20 anos, onde acordamos com mais dores que aquelas que tínhamos quando nos havíamos deitado.
Por tudo isso, OBRIGADO Senhor Primeiro Ministro, OBRIGADO Senhor Ministro da Administração Interna e OBRIGADO Senhor Director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Faro.
Miguel Gaspar Roque
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Cidadão português que para sobreviver trabalha desde os 12 anos de idade tendo apenas a 4ª classe |
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